Se a minha memória não me falha, o dia treze de março de dois mil e vinte foi o dia em que foi decretado o encerramento das escolas e, por isso, todos os estudantes como eu, ficaram confinados pela primeira vez. Lembro-me que estive em negação durante muito tempo nessa altura porque queria ir para a escola. Estava no décimo ano e, depois de um primeiro período desafiante, as coisas estavam finalmente a correr bem e eu não conseguia aceitar que teria de ficar em casa e ter aulas online. Aulas online… na altura ninguém sabia como é que isso ia funcionar e estávamos todos desesperados a tentar encontrar um equilíbrio. O meu desespero durou ainda mais tempo porque eu não quis acreditar que, afinal, as coisas estavam mesmo más e eu ia passar o resto do ano letivo em casa.
Um ano depois, a história repete-se. Cá estou eu, de novo em casa confinada quase há dois meses, mas um pouco mais tranquila porque já percebi que há realmente coisas que não se podem controlar por vontade própria. Resta-nos aceitar. Um ano depois, continuamos a lutar contra o covid e eu decidi que era boa ideia escrever este artigo e falar-vos sobre dez coisas que aprendi ao longo deste ano de pandemia. Espero que gostem.
1. A primeira coisa que aprendi, e que acho que todos nós também aprendemos, é que não vale a pena fazer planos, sobretudo no tempo em que vivemos. Isto porquê? Porque as decisões do governo estão constantemente a mudar e, por exemplo, as lojas e estabelecimentos que estão abertos hoje, podem não estar amanhã e um amigo ou familiar ou conhecido nosso, hoje pode estar bem e amanhã pode testar positivo. Por isso, nunca fiando e vivamos todos um dia de cada vez. Porque mais tarde, não vai compensar a ansiedade e a frustração devido ao fracasso dos nossos planos.
2. A segunda coisa que aprendi, e que mais me doeu, foi deixar ir as pessoas que não tinham como prioridade a sua presença na minha vida. É o típico… "Só faz falta quem está", e não podia fazer mais sentido. As pessoas que realmente se importam contigo e valorizam a amizade, vão ficar independentemente de tudo. A pessoas que se importam, ligam, mandam mensagem, estão presentes. Nós somos a geração que tem tudo à distância de um clique, por isso, se a pessoa não te procura, é porque simplesmente não quer saber e tu até podes insistir, mas tens de perceber que vai existir uma altura em que a tens de deixar ir.
3. Em terceiro lugar, está a autoestima. Aprendi a valorizar, a gostar e a cuidar mais de mim. Porque eu sou a pessoa mais importante da minha vida e se eu não cuidar de mim antes de cuidar de quem quer que seja, ninguém o fará.
4. Seguidamente, aprendi que não gosto de aulas à distância. Quem gosta? Acho que a minha opinião é unanime e eu podia enumerar mil e uma razões para este meu descontentamento, mas vou só dizer que dificilmente alguém consegue aprender no ensino à distância aquilo que aprende na escola. Se o ensino presencial já é frustrante por si só, imaginem como é passar meses a olhar para um computador e tentar ser produtivo a olhar para o ecrã.
5. Aprendi que nem sempre é mau estar em casa, e até pode ser produtivo se nos reinventarmos. De certeza que vai haver alguém com opinião contrária à minha, mas esta foi a conclusão à qual eu cheguei depois deste ano. Nós reclamamos porque temos aulas, reclamamos porque estamos em casa, há sempre uma altura em que não estamos satisfeitos com nada, por isso, se nos reinventarmos, pode ser que as coisas mudem de figura e se torne menos cansativo estar em casa.
6. Aprendi que, se não nos sentirmos mentalmente bem, não devemos ter vergonha nem medo de pedir ajuda profissional. Foi o que eu fiz, na verdade. No primeiro confinamento, não houve essa possibilidade mas, comecei a ter sessões com a psicóloga da minha escola em dezembro e não mais parei porque sinto que este segundo confinamento estar a ser mais intenso e a fazer-me ficar ansiosa e sentir pressão.
7. Também aprendi que gosto bastante de fazer tarefas domésticas e de arrumar a casa. Lá está, mais uma coisa que me distrai e que, se for feito com gosto e ao nosso ritmo, torna-se muito mais satisfatório e é uma forma de passar o tempo e de tomarmos consciência da responsabilidade que é cuidar de uma casa.
8. Aprendi que não é fácil ser adolescente e viver no meio desta pandemia e deste mundo confuso. E acho que não é preciso dizer mais nada, porque ser adolescente já tem complicações que chegue.
9. Apendi que o futuro está cada vez mais perto e é cada vez mais incerto e isso assusta-me.
10. E por fim aprendi a agradecer porque eu e a minha família somos uns "sortudos". Ao longo deste ano de pandemia nunca testámos positivo.
E pronto, este texto ficou um bocadinho longo, mas eu gostava mesmo que lessem e queria mesmo partilhar convosco estas minhas dez aprendizagens, tenho a certeza de que se vão relacionar com pelo menos uma. Da minha parte é tudo, espero que tenham gostado e até breve.
Um beijo.
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