Quantas vezes as fotografias se tornaram memórias? Quantas vezes as conversas se tornaram histórias? Quantas vezes as gargalhadas ficaram guardadas como um eco no silêncio? Quantas vezes a fragilidade se tornou na maior armadilha do tempo? A primeira vez que conheci a dor de perder alguém foi em 2014, na ocasião da morte da minha avó materna. Eu tinha dez anos. Lembro-me do dia em que recebi a notícia e do dia do funeral como se fosse hoje. Passaram-se nove anos e recordar esses dias ainda mexe comigo. Com dez anos fiquei a saber a dura verdade de que ninguém vive para sempre, nem mesmo as pessoas de quem mais gostamos. Depois dessa perda, passei por outras, mas nada com uma dimensão semelhante; apenas vizinhos ou pessoas conhecidas e queridas pela minha família. Até que chegou o dia 24 de fevereiro de 2023. Nesse dia, recebi a notícia do falecimento da minha tia, a irmã da minha mãe, a minha única tia. Nesse dia, voltei a sentir uma dor visceral, inexplicável, senti uma impotência abs...
Já queria ter publicado este texto há mais tempo, mas achei que faria mais sentido partilhar numa data mais simbólica. Não sei ao certo em que dia, mas este mês faz um ano que eu recebi e comecei a utilizar o meu kobo. Quem me conhece sabe que eu sempre fui muito cética em relação a ler livros em formato digital, porque sempre fui muito fiel ao papel. Para mim, não há melhor cheiro do que o cheiro de livros novos, nem melhor sensação do que folhear as páginas de um livro. Mas a verdade é que mordi a minha própria língua. Já vários amigos e conhecidos me tinham falado da praticidade do kobo e em como ele revoluciona a nossa vida; antes de realmente ter um, não acreditava. Mas, de facto, o kobo é muito revolucionário na medida em que é pequeno, prático, tem uma bateria que dura imenso tempo e a luminosidade adapta-se consoante o ambiente em que estamos, sem ser prejudicial à nossa visão. Torna-se, por isso, muito confortável para quem gosta ou quer ler à noite, antes de dormir....