Quantas vezes as fotografias se tornaram memórias? Quantas vezes as conversas se tornaram histórias? Quantas vezes as gargalhadas ficaram guardadas como um eco no silêncio? Quantas vezes a fragilidade se tornou na maior armadilha do tempo? A primeira vez que conheci a dor de perder alguém foi em 2014, na ocasião da morte da minha avó materna. Eu tinha dez anos. Lembro-me do dia em que recebi a notícia e do dia do funeral como se fosse hoje. Passaram-se nove anos e recordar esses dias ainda mexe comigo. Com dez anos fiquei a saber a dura verdade de que ninguém vive para sempre, nem mesmo as pessoas de quem mais gostamos. Depois dessa perda, passei por outras, mas nada com uma dimensão semelhante; apenas vizinhos ou pessoas conhecidas e queridas pela minha família. Até que chegou o dia 24 de fevereiro de 2023. Nesse dia, recebi a notícia do falecimento da minha tia, a irmã da minha mãe, a minha única tia. Nesse dia, voltei a sentir uma dor visceral, inexplicável, senti uma impotência abs...
A vida é feita de fases e de ciclos que se encerram para dar lugar a outros. Há uns meses partilhei que estava a trabalhar numa livraria, hoje partilho que essa experiência chegou ao fim. Durante nove meses fui feliz. Fui genuinamente feliz, e só posso agradecer à minha (ex) patroa por me ter dado a oportunidade de iniciar a minha vida profissional naquele lugar. Um lugar que será sempre muito especial. No entanto, recebi uma proposta para trabalhar em outra empresa e realmente dar uso às competências que adquiri durante a licenciatura, e nem pensei duas vezes. Porque existem oportunidades que não surgem duas vezes na vida e existem decisões que têm de ser tomadas de imediato para que possamos crescer enquanto pessoas e enquanto profissionais. A vida acontece sem darmos conta e há coisas que fogem claramente dos nossos planos e do nosso controlo. Se estava nos meus planos mudar de emprego este ano? Sim, mas não para já. Até porque nós sabemo...