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Acabei o Curso, e Agora?

 No passado mês de julho, terminei a minha licenciatura em Comunicação e Media pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria. Desde então, enviei muitos currículos, seja para trabalhos na minha área ou não. Embora eu acredite que termos um diploma e um curso superior nos abre mais portas e oferece mais oportunidades a nível de carreira, também sei ser realista e reconhecer que nada nos garante que vamos ter emprego na nossa área de formação imediatamente depois de terminarmos o curso. Sei que o meu ponto de vista não é consensual, mas a verdade é que o dinheiro não cai do céu e é sempre bom ter um plano B quando o plano A não corre como esperamos. Porque, de qualquer forma, tenho de trabalhar. Também decidi não fazer mestrado exatamente por isso; porque quero ganhar experiência profissional e independência financeira. Não tenho medo de trabalhar nem vergonha de aprender coisas novas. Também não serei a primeira pessoa a trabalhar em algo que não é propriamente a sua área de formação.

Neste texto, quero falar-vos especialmente de uma oportunidade de trabalho que eu agarrei sem pensar duas vezes. Vi no LinkedIn uma vaga para integrar o departamento de revisão de texto na editora Cordel de Prata; tratava-se de um trabalho remoto e em regime freelancer. Fiquei imediatamente interessada e decidi arriscar e enviar o meu currículo, sem grandes expectativas. Porque se houve uma coisa que aprendi durante o processo de procura de emprego, foi a não ter as expectativas muito elevadas. Por exemplo, quando fui à primeira entrevista de emprego, pensei mesmo que ficasse com o lugar mas, quando me disseram que não tinha o perfil que pretendiam e que tinham selecionado outra pessoa, fiquei absolutamente desiludida, triste e com pensamentos desmotivadores.  

Passado algum tempo de ter enviado o meu currículo para a Cordel de Prata, recebi um email da parte deles a manifestar interesse em que integrasse a equipa de revisores. Fiquei muito feliz por ter recebido uma boa notícia. A minha função enquanto revisora é muito simples: contactar com autores, ler as suas obras e rever o português, os erros ortográficos, a pontuação, a coerência, etc.. Tudo isto antes das obras serem publicadas, obviamente. É realmente um privilégio ler os livros em primeira mão, antes de chegarem às livrarias e ao público. Além disso, a equipa tem sido impecável comigo, estão sempre disponíveis para me ajudar em algum imprevisto ou esclarecer alguma dúvida que tenha. 

Como referi anteriormente, este é um trabalho remoto e em regime freelancer, ou seja, posso trabalhar a partir de casa, gerir o meu próprio horário e o pagamento varia de acordo com as revisões que concluir em cada mês. Além disso, permite-me conciliar com outro trabalho, o que é ótimo porque, além de ser um redimento extra, é realmente algo que me dá muito gosto fazer.  

Inicialmente, não foi fácil, sobretudo a nível psicológico, estar tanto tempo em casa à espera de uma chamada ou de qualquer tipo de retorno relativamente aos currículos que enviei. Gostaria realmente que alguém me tivesse avisado mais cedo que não é fácil arranjar emprego - sobretudo se for o primeiro emprego. É um processo longo e desesperante, que me despertou pensamentos menos positivos. Houve dias mais fáceis do que outros: houve dias em que estava distraída e ocupada, tentava pensar positivo, acreditar e aceitar que a demora na resposta é normal; houve outros dias em que me sentia completamente inútil e fracassada, ficava o dia todo em casa sem vontade de sair ou de falar com pessoas. Sim, porque as pessoas têm sempre alguma coisa a dizer ou a opinar. Às vezes sem maldade, é certo, mas mesmo assim tocava-me num ponto sensível. De cada vez que me perguntavam se já tinha arranjado trabalho e eu tinha de responder que não, a minha vontade era de me enfiar num buraco e não sair de lá. Para vocês que estão a ler, tudo isto pode parecer estúpido e exagerado mas, de facto, foi algo que me afetou bastante.

No entanto, quando recebi o sim que tanto queria, as inseguranças transformaram-se em entusiasmo. Entusiasmo porque finalmente tive uma oportunidade para agarrar, com muita vontade de aprender, e podia finalmente sentir-me útil e ver a minha a vida a tomar o seu rumo.

Neste momento, além de colaborar com a Cordel de Prata, trabalho a tempo inteiro numa livraria. Os livros fazem, desde sempre, parte da minha vida e da minha essência enquanto pessoa, por isso, acredito que não podia ser de outra forma e que estou exatamente onde devia estar. Sinto-me muito feliz e realizada. Claro que gerir uma rotina com dois empregos não é fácil, há dias em que o cansaço bate à porta, mas é muito gratificante trabalhar com o que gosto; é muito gratificante sentir que não vou trabalhar todos os dias "por obrigação" ou apenas porque preciso de ganhar dinheiro. Gosto genuinamente do que faço.  

Penso que não tenho mais nada a acrescentar neste texto, que acabou por ficar mais longo do que eu previa, mas espero realmente que tenham gostado. Ao longo destes quase sete anos de blogue, tenho partilhado tantos aspetos da minha vida que não faria sentido não partilhar este também. 

Obrigada por estarem desse lado. 

Um beijo e até breve!

- Carina Subtil 





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