Cheguei ao último dia de aulas melancólica e nostálgica, porque este final de ano tem um sabor agridoce para mim. Se por um lado estava ansiosa que este ano finalmente acabasse, por outro queria evitar que o último dia chegasse porque não gosto de despedidas. E agora que chegou ao fim e eu estou de férias, nem sequer parece verdade.
Tinha esperança e estava mesmo confiante de que este ano letivo fosse diferente, mas estava enganada. Em setembro estava tudo muito bem, até que chegámos a janeiro e fiquei confinada a dois meses de ensino à distância novamente. Devo confessar que me custou um pouco e que entrei em negação novamente, mas depois habituei-me e quando o governo decidiu que em abril íamos voltar ao ensino presencial, fiquei um pouco triste. Porque durante aqueles dois meses eu não tive de conviver com pessoas com quem não me identificava, apenas falava com quem eu queria e quando queria e isso soube-me muito bem. Mas depois até nem correu mal porque reencontrei os meus amigos e voltei à minha rotina. Eu sei que me estou a contradizer, sei que desde setembro que o faço constantemente sem saber, mas a verdade é que a vida é mesmo assim, a vida surpreende-nos e nós agimos de forma diferente e sentimos coisas diferentes conforme as coisas vão acontecendo. A verdade é que eu duvidei durante muito tempo das minhas capacidades enquanto aluna, pensava que não ia ser capaz de chegar tão longe, de chegar ao décimo segundo ano. Porque foi num abrir e fechar de olhos. Ontem estava no nono ano, toda feliz da vida, dava-me bem com toda a minha turma e nem sequer sonhava nas responsabilidades e no pesadelo que ia ser o secundário. Porque sim, o secundário consegue ser um pesadelo a maioria das vezes. E sim, o décimo primeiro ano é o pior ano dos três. Não imaginava que a minha vida emocional fosse dar uma cambalhota tão grande. Não imaginei que me poderia tornar a pessoa que sou hoje. Não imaginei chegar até aqui. Mas cheguei e orgulho-me de tudo o que consegui até hoje, mais do que alguma vez me orgulhei.
Mas isto só foi possível com ajuda da minha psicóloga, com a ajuda dos meus amigos, da minha família e de pessoas e professoras que marcaram a minha vida. Porque teria sido muito mais difícil sobreviver à disfuncionalidade da minha turma e à pressão da escola sem todos eles. Sei que o mérito foi meu e que tenho de reconhecer ter conseguido, mas se não tivermos as pessoas certas à nossa volta o caminho não fica tão fácil de percorrer. E por isso não podia acabar este texto sem agradecer a todas elas, não individualmente, não quero falar em nomes, mas sim de uma forma geral, por terem feito parte desta imensidão, desta intensidade absurda que foram os dez meses de aulas do décimo primeiro ano. Agora estou de férias, mas ao mesmo tempo não. Isto porquê? Porque vou fazer exame a inglês e convém estudar. Só estarei totalmente livre a partir da segunda quinzena de julho. Depois do exame, vou fazer os possíveis para aproveitar o verão tanto quanto seja possível. Porque também é preciso o covid deixar, e para o covid deixar as pessoas têm de se portar bem. Por isso, façam um esforço para cumprir as regras, tomem cuidado e protejam-se.
E pronto, acho que vamos ficar por aqui. Espero que o texto não tenha ficado muito confuso e espero que tenham gostado de ler este breve resumo de um ano letivo que parecia não te fim. Em setembro temos o décimo segundo ano e eu prometo continuar a escrever sobre as peripécias das minhas aulas. E depois, perguntam vocês? Depois não sei, não tenho planos, ainda nem sei ao certo o que quero fazer da vida, por isso vou esperar que o tempo passe e me dê respostas para todas as dúvidas que moram em mim.
Até ao próximo texto. Um beijo.
Carina tudo o que escreves revela uma adolescente madura, consciente da realidade... Sei que és uma filha maravilhosa!!! Tive muito gosto em falar contigo, conheci mais um pouco de ti. A opinião do Carlos é a mesma que a minha: se quiseres, vais longe!! A determinação e persistência, faz de nós vitoriosos! Futura escritora!! Com a tua maturidade, vamos ouvir falar de ti! Coragem, força e bom senso. Beijinhos grandes Fatinha
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