Neste segundo texto desta nova saga, vamos dar a devida importância aos efeitos psicológicos que a escola tem nos seus alunos, muitas vezes inconscientemente.
Se para muitos, a escola é um lugar de harmonia, bem-estar, o lugar onde se conhecem pessoas, se fazem amizades, se transmitem valores e conhecimentos, e proporciona às crianças e jovens os melhores anos da sua vida; para outros, a escola é um pesadelo, uma tortura, um lugar onde são infelizes, um lugar onde são julgados, um lugar onde não podem ser eles próprios... Mas então, de quem é o problema? Da escola? Da família? Dos jovens? Neste texto, eu vou responder a esta questão, tendo em conta o meu ponto de vista e a minha experiência pessoal. Se estiverem interessados, é só continuarem a ler.
Durante muito tempo, para mim, a escola foi um lugar onde eu me sentia bem. Durante muito tempo a escola foi o meu refúgio porque me fazia esquecer os meus problemas pessoais e, no decorrer do meu dia de aulas, eu não pensava em mais nada para além dos meus amigos e dos trabalhos que os professores mandavam fazer. A escola fez-me realmente muito feliz durante muitos anos e em muitos momentos mas, conforme fui crescendo e a minha ingenuidade foi desaparecendo, percebi que as coisas não são sempre um mar de rosas. No secundário, as coisas ficam mais claras e eu percebi que estava por minha conta, que tinha de ser uma pessoa exemplar, que não podia desiludir. Existiram alturas em que eu me sentia muito perdida, desesperada, encurralada, porque pensava que estava a fazer tudo errado, pensava que era um escândalo não ter vinte em todos os testes, como acontecia com alguns dos meus colegas... E é com esse desespero que nos sentimos pressionados, sozinhos, ansiosos...
Embora não pareça, e muitas pessoas digam que nós não temos motivos para nos sentirmos cansados e pressionados porque não temos muitas obrigações, a verdade é que a certa altura se torna insuportável. Ninguém, para além de nós, estudantes, tem noção da quantidade de pressão a que estamos sujeitos todos os dias. As pessoas dizem que é com pressão que se trabalha melhor, é fazendo as coisas à última hora que saem melhor, mas isso não é de todo verdade, pelo menos não para a toda a gente. Não é com a pressão de ter cinco testes numa semana que vamos ser mais bem sucedidos, pelo contrário... A pressão pode provocar problemas sérios, nomeadamente pode provocar ansiedade.
E a ansiedade é, de facto, um problema sério, que pode ter consequências graves, sobretudo em nós, jovens. A ansiedade pode ser causada por muitos fatores, nomeadamente pela mudança de escola e também pela expectativa de ter boas notas. Pode provocar dificuldades de aprendizagem, depressão, isolamento social e até levar à desistência de realizar certas atividades. Porque toda a sociedade exige muito de nós e se não temos notas suficientemente boas, somos julgados e rebaixados e sentimo-nos culpados por não termos dado mais de nós. A adolescência, supostamente, devia proporcionar os melhores anos de vida a uma pessoa, mas isso muitas vezes não acontece porque os jovens simplesmente não conseguem ser eles próprios e vivem constantemente ansiosos por não conseguirem corresponder às expectativas da sociedade, porque simplesmente não conseguem evitar as críticas infelizes e pouco construtivas que muitas vezes são proferidas por jovens da mesma idade. Eu não sofro de ansiedade e nunca fui uma pessoa ansiosa, mas sei o quão preocupante é porque tenho amigas que sofrem bastante e que já tiveram de procurar ajuda profissional. E a ansiedade pode também fazer com que uma pessoa se sinta sozinha, pode levar a que os outros se afastem por, por exemplo, acharem que essa pessoa tem simplesmente problemas mentais.
Por fim, acho que é importante falar sobre a solidão, que surge especialmente nos jovens que não conseguem estabelecer boas relações sociais e, por isso, isolam-se e não deixam que ninguém se aproxime. Porque nem toda a gente tem um grande grupo de amigos, uma rede sólida de pessoas de confiança, que se preocupam realmente connosco e estão sempre presentes no nosso dia a dia. Nem todos os jovens têm uma capacidade fácil de fazer amizades e isso é, de certa forma, preocupante, porque são eles que acabam por ser mais desvalorizados. Nos tempos que correm, "não é fixe" não ter muitos amigos, "não é fixe" não saíres à noite, "não é fixe" não apanhares uma bebedeira... Há muita coisa que "não é fixe" nos tempos que correm e eu só acho isso triste, porque nós podemos fazer com que as coisas sejam "fixes" à nossa maneira. Eu posso não ter muitos amigos, mas sei que tenho os suficientes, pois sei que eles estarão lá para mim independentemente de tudo o que aconteça.
Bem, este texto ficou um bocadinho maior do que eu tinha planeado, mas acho que consegui transmitir tudo o que queria. Espero que a mensagem tenha chegado até vocês e que tenham gostado desta partilha do meu ponto de vista. Porque eu demorei muito tempo a perceber que não faz mal não ter grandes notas a tudo, o que conta é eu ter a consciência de que eu me esforcei para o que consegui alcançar. Está na altura de os professores e o sistema de ensino português perceber que não somos todos iguais, perceber que é errado pôr a fasquia tão alta e perceber que é importante dar mais atenção aos problemas reais que existem na comunidade escolar e que afetam, sobretudo os jovens. Porque a escola tem realmente muitos efeitos psicológicos nas crianças e nos jovens, e nem todos os efeitos são positivos.
Até breve. Um beijo.
Comentários
Enviar um comentário