A ideia de criar esta nova saga surgiu-me num sábado à noite, antes de adormecer. No dia a seguir acordei e o assunto voltou a pairar na minha cabeça. Decidi pedir a vossa opinião no instagram do blog e, embora tenham sido poucos aqueles que votaram, decidi seguir em frente e começar a planear esta saga. Vão ser cinco os textos desta saga, a que chamei "Desabafos de uma aluna do secundário". Este primeiro texto vai ter como tema principal o preconceito que muitas vezes existe entre os diferentes cursos. Se estiverem interessados neste assunto, basta continuarem a ler.
Para muitos de vocês pode não fazer sentido eu estar a publicar estes desabafos sendo que o ano letivo está quase no fim, mas eu decidi arriscar e publicar esta saga de uma vez só, neste mês de junho. Pois é, já chegámos ao mês de junho! Como assim!? Nós piscámos e do nada, 2021 já pôs seis meses e eu já estou a acabar o meu décimo primeiro ano... Completamente inacreditável... Mas enfim, isso não interessa para hoje. Decidi que este primeiro texto ia falar sobre os cursos que estão disponíveis no secundário e o preconceito inconsciente que muitas vezes existe entre as pessoas sobre eles. E eu lembrei-me disto também porque a maior parte dos meus amigos frequenta cursos diferentes do meu, então fazia todo o sentido abordar este assunto e, de alguma forma, dar também voz às suas revoltas.
Cursos cientifico-humanísticos - Os cursos cientifico-humanísticos são quatro: ciências e tecnologia, ciências-socioeconómicas, línguas e humanidades e artes visuais. O que eu sinto muitas vezes é que as pessoas pensam que os alunos que frequentam o curso de ciências ou o curso de economia são os mais inteligentes e os que vão, consequentemente, ter mais sucesso na vida. São os que vão ser médicos, enfermeiros, cientistas, bancários, gestores… Deste modo os alunos de artes, humanidades e dos cursos profissionais, são os querem fugir das disciplinas mais difíceis e por isso ficam com as mais "fáceis" e têm as opções mais limitadas. Pois bem, as pessoas que têm esse tipo de pensamento e preconceito dão-me raiva porque elas não sabem como é estar do outro lado. Não sabem que história ou geografia são tão ou mais difíceis e exigentes como a matemática A ou biologia. Outra coisa que acho importante mencionar é o facto das pessoas pensarem que, quem vai para este tipo de cursos tem automaticamente intenções de ir para a universidade\faculdade. Isso não é de todo verdade porque nem todos temos as mesmas oportunidades e possibilidades económicas. Porque ninguém está preparado para decidir o seu futuro com dezoito anos. Muitas vezes as pessoas com dezoito anos nem sequer sabem quem são, por isso penso que esse tipo de pressão é bastante desnecessária e desagradável. Neste momento, o meu maior objetivo é acabar o décimo segundo ano com boas notas, depois logo se vê. Não tenham pressa, vivam um dia de cada vez, aprendam que não vale a pena fazer planos porque nunca se sabe se vamos estar cá para os concretizar. Acho que está na altura de desconstruir os estereótipos das pessoas e fazê-las entender que não, não somos todos iguais. Acho também importante referir que existem muitos jovens que estão no curso errado, porque com quinze anos não conseguiram perceber qual era o curso que os ia fazer mais feliz, portanto ficaram limitados a um curso que foi escolhido pelos pais e que não os faz sentir minimamente realizados. Os pais deviam respeitar as decisões dos filhos e não forçá-los a ter futuro que eles idealizaram.
Cursos Profissionais - Para além dos básicos cursos cientifico-humanísticos, existem também os cursos profissionais, que têm uma variedade diferente de cursos com disciplinas distintas e uma vertente muito mais prática com a obrigação da realização de um estágio. Tenho amigos a frequentar este ensino profissional e o ensino regular e reconheço que os alunos dos cursos profissionais, muitas vezes, têm muitas mais responsabilidades, muito mais trabalhos e muito mais horas de aulas do que os alunos que frequentam os cursos científico-humanísticos. As pessoas também têm muito a mania de chamar os alunos do ensino profissional de preguiçosos ou "aqueles que não gostam de estudar" mas isso, definitivamente, não é verdade. Porque na maioria das vezes até são os alunos dos profissionais que acabam por se esforçar mais do que os alunos do ensino regular. Cada curso tem o seu nível diferente de dificuldade, mas são ambos válidos. Uma pessoa que frequenta o ensino profissional também pode muito bem frequentar uma universidade ao fim dos três anos. As oportunidades podem ser um pouco mais elevadas para alguém que, por exemplo, quer ingressar no mercado de trabalho logo depois de terminar a escola, mas isso não deve ser motivo de julgamento, porque cada um é livre de tomar as suas próprias decisões. Penso que as pessoas devem começar a olhar para o ensino profissional com outros olhos e perceber que as escolhas não devem ser algo que defina alguém.
E pronto, acho que vou ficar por aqui, penso que disse tudo o que queria dizer e espero que tenham compreendido a forma injusta com que muitas vezes as pessoas comparam uns cursos aos outros. Porque cada um é livre de ser o que quiser e a sociedade tem de começar a mudar o seu pensamento. Até ao próximo texto, fiquem bem.
Um beijo.
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