Gostava de poder dizer que adoro o Natal, que é a minha época favorita do ano, que me comovo com o espírito natalício e que acho as luzes e decorações lindíssimas e mágicas, mas não consigo e lamento por isso. Na verdade, acho as decorações de Natal pirosas e um desperdício de dinheiro, desculpem a sinceridade. Mas calma que nem sempre foi assim. Antes de questionarem as minhas opiniões, convido-vos a ler o resto do texto. Não peço que compreendam o meu ponto de vista, apenas que respeitem e reflitam.
Fui perdendo o encanto pelo Natal com o passar do tempo e à medida que fui crescendo e ganhando consciência de algumas coisas. Mas comecei a gostar e a dar mais valor ao ano novo. Esta mudança de perspetiva deve-se ao facto de eu ter começado a encarar cada ano como um novo capítulo deste livro que é a vida, uma nova oportunidade de viver, crescer e fazer coisas novas. A passagem de um ano velho para um ano novo permite-nos refletir sobre as nossas ações e atitudes e perceber aquilo que temos de mudar em nós. É uma oportunidade de recordar momentos felizes e tristes. De olhar para trás e compreender certas e determinadas decisões. De nos despedirmos de velhos hábitos e criarmos novos. De criarmos novas rotinas e delinearmos novos objetivos.
O Natal deve ser uma época de esperança, que valoriza a família, a união e o amor, mas nem sempre é assim. Que sentido faz passarmos a consoada com a nossa família se durante o ano inteiro não estamos presentes nem nos preocupamos? Que sentido faz trocarmos presentes apenas num dia específico se temos o ano inteiro para o fazer mas simplesmente não queremos ter esse trabalho nem gastar dinheiro? Que sentido faz passarmos a consoada com a nossa família quando sabemos que alguns sorrisos são falsos ou forçados? Que sentido faz fingir felicidade e naturalidade quando faltam pessoas à mesa que já não vão voltar?
Gosto de acreditar que este meu pessimismo é temporário e que a minha opinião vai mudar quando tiver filhos. Afinal, são as crianças que tornam esta quadra tão especial. As crianças, que são ingénuas e inocentes, olham para todas as coisas com muito encanto e brilho no olhar. Acreditam no Pai Natal, na Fada dos Dentes, em monstros, em dragões, em criaturas que apenas existem nos desenhos animados. As crianças não têm culpa das escolhas dos adultos e ensinam-lhes muito. As crianças ficam entusiasmadas com presentes, mas os adultos ficam tristes quando gastam dinheiro nesses presentes. As crianças unem os adultos e fazem-nos esquecer as suas rivalidades, os seus problemas, as suas ambições, os seus defeitos. Durante muitos anos, eu fui essa criança. Mas cresci e compreendi que carregava o mundo sobre os meus ombros sem ter culpa nenhuma. Carregava a responsabilidade de apaziguar problemas e disputas que não eram minhas. Compreendi que, muitas vezes, o ideal não é fingir a felicidade mas sim aceitar que ela não existe. Então comecei deixei de criar expectativas. Porque o Natal deve ser sobre verdade e sobre esperança. Esta magia, esta verdade, tem de estar presente o ano todo, caso contrário o dia 24 e 25 de dezembro não terão sentido.
Não é minha intenção com este texto arruinar as vossas crenças sobre esta época do ano, apenas promover a reflexão.
Por fim, mas não menos importante, acho fundamental reforçar que o grande responsável pela existência desta data é Jesus Cristo. Sou suspeita porque sou católica praticante e vou todas as semanas à missa, simplesmente porque fazê-lo me faz sentir bem. Porque ouvir a palavra de Deus me dá esperança, conforto, confiança e força para enfrentar o dia a dia e as adversidades da vida. Às vezes é bom temos algo ou alguém a quem agradecer, algo ou alguém que nos ampare nos momentos mais difíceis.
Termino este texto desejando a todos um ótimo Natal e um próspero Ano Novo.
Um beijo e até breve.
- Carina Subtil
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