Admito que já tentei escrever este texto imensas vezes, mas a verdade é que me faltam as palavras cada vez que tento descrever os acontecimentos dos últimos meses.
Este ano aconteceu tanta coisa na minha vida que, olhando para trás, parece um pouco surreal. Mas se houve uma coisa que aprendi este ano foi a ser forte. Foram doze meses muito intensos que exigiram muito de mim e me levaram ao limite muitas vezes. E eu pensava que sabia qual era o meu limite, mas estava genuinamente enganada. Não é novidade que eu acredito que tudo na vida acontece por um motivo e eu tentei muitas vezes encontrar razões que me explicassem o porquê de determinadas coisas terem acontecido. Não consegui encontrar uma resposta que me deixasse satisfeita mas consegui entender que tudo serviu para me deixar mais forte.
Também admito que me perdi um pouco ao longo deste ano. Perdi-me porque as pessoas que desapareceram da minha vida nestes meses levaram um bocadinho de mim. Perdi-me porque tentei corresponder às expectativas dos outros. Perdi-me porque me dediquei à universidade a 100%. Perdi-me porque me dei demasiado a quem pouco queria de mim. Perdi-me quando olhei ao espelho e não reconheci o meu próprio corpo. Perdi-me porque deixei de ter vontade de ler e escrever. Perdi-me porque fiquei muitas vezes sem palavras. Perdi-me mas aprendi a ser forte. Aprendi a deixar ir e a dar valor aos que sempre estiveram comigo. Este ano foi uma tempestade e eu perdi-me no meio dela. Perdi-me no meio das desilusões, das perdas, dos lutos, dos estilhaços do meu coração, das lágrimas que derramei por quem não merecia. Mas, quando eu pensava que não havia saída, que não havia solução à vista, surgiu uma luz ao fundo do túnel.
Não sei ao certo quando é que essa luz surgiu nem em que momento, mas sei que me deu esperança outra vez. Essa luz fez-me querer ter vontade de lutar novamente, de voltar a ser eu. Fez-me entender que tudo serviu para me fortalecer, para me abrir os olhos, para não dar nada como garantido, para confiar em quem fica e não em quem vai embora. Essa luz fez-me agradecer a quem esteve sempre do meu lado, a quem me deu a mão quando eu mais precisava, a quem me abraçou e me aparou quando a queda parecia iminente. E este ano eu caí muitas vezes e foram sempre as mesmas pessoas que me agarraram e me deram um abraço para chorar.
2023 foi um dos anos mais difíceis da minha vida e vai ficar na minha memória para sempre mas infelizmente não pelos melhores motivos. É também o ano em que me despeço da adolescência. É um capítulo que preciso de encerrar na minha mente e que não vai deixar saudades. Este ano fez-me crescer enquanto mulher e fez-me abrir os olhos a muita coisa. Fez-me encerrar vários capítulos, conseguir respostas a muitas perguntas e resolver assuntos que eu pensava que estavam resolvidos. Em 2023 vão ficar pessoas, momentos, sentimentos, emoções, conversas. Porque eu não quero ficar amarrada a um passado que não me deixou sonhar com o futuro.
Preciso genuinamente que 2024 me traga mais calma e tranquilidade. Preciso de mais momentos positivos e menos momentos de pressão e de stress. Vou entrar na casa dos 20, vou dar início a uma fase importante da minha vida e preciso de ser ouvida e respeitada; preciso de fazer coisas por mim e tomar as minhas próprias decisões. Não tenho grandes expectativas para 2024 porque é melhor assim, só peço que me traga felicidade e não me leve ninguém. Mas posso confessar que, em 2024, vou realizar um sonho que está em espera há dois anos e não podia estar mais feliz!
O resto? Não sei, ninguém sabe... Resta-nos viver um dia de cada vez. Só peço que Deus não me leve mais ninguém da minha família. Peço também saúde, paz e mais amor para todos.
E espero que vocês, que continuam desse lado a acompanhar-me e a ler os meus textos, tenham um excelente 2024!
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Um beijo e vemo-nos em 2024!
- Carina Subtil

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