As paredes brancas.
O cheiro a desinfetante.
Um corpo inerte
com um anel de diamante.
A duvida que mora
entre a vida e a morte,
numa sala de urgências.
E a mulher que faz exigências,
porque o seu coração
ficou despedaçado
e já perdeu o motivo
para ficar acordado.
A dor que se sente em todo o lado.
O silêncio que mata a emoção.
Os papeis para preencher.
A porta que não vai voltar a abrir.
O brilho que não volta a existir.
Todos os dias uma história nova
e a paciência que se esgota
porque as horas estão a passar
e eu só queria continuar a respirar.
O teclado,
que num tom ritmado,
escreve o nome
de alguém que já não sofre.
A paz errada,
a memória ultrapassada,
o tempo que passa como um caracol
e eu aqui trancada
à procura de um mero raio de sol.
Alguém com uma fralda para trocar,
outra senhora a gritar,
as enfermeiras atarefadas
à espera que turno acabe.
O peso que esmaga
os meus pensamentos
de todos os momentos
que vou viver
quando deixar
de ser prisioneira.
Todas as desculpas que pedimos
por estarmos doentes,
por sermos impotentes,
por rasgarmos todas as feridas
já transformadas em cicatrizes.
Por todos os amores
que outrora existiram
e que construíram
um império de felicidade
que se transformou em saudade.
Escrito a 29/01/2023
- Carina Subtil

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