Quantas voltas terei de dar?
Quantas vezes terei de amar?
Quantos vidas terei de perder?
E quantas outras terei de viver?
Como se respirar fosse o veneno que corre pelas veias
e arranca as flores inteiras
que brotam dentro de nós
e nos fazem sentir cada vez mais sós.
Consigo contar pelos dedos
os dias em que me assombraram estes medos.
Esta vontade visceral
de crescer num mundo normal.
Porque, parecendo tão simples assim,
às vezes destrói o que resta de mim.
E se for tudo fruto de uma ilusão?
Eu sendo o polícia,
tu na pele de ladrão?
Tão pouca vontade
nesta tenra e crua verdade.
Consigo contar pelos dedos
a sinceridade de quem realmente se importa
e não está só a fingir-se de morta.
Queríamos nós beber o verão,
saborear o amor
e apagar o perdão
que camufla a dor.
Queríamos nós saber quem somos,
além de meros seres à procura de um sonho.
Consigo contar pelos dedos
as vezes que sorri
quando falava de ti.
A falta que me afoga,
a memória que me assombra.
O tempo que cura
para que a alma fique segura
e volte a nascer
antes que alguém a destrua outra vez.
Escrito no dia 22/02/2023
- Carina Subtil

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