Avançar para o conteúdo principal

Desabafos de uma leitora #1

Hoje damos inicio a uma nova saga de textos! Como já puderam ver no título, vai chamar-se "Desabafos de uma leitora". Vai ter apenas cinco textos, cada um com um tema diferente e cada tema vai estar relacionado com a leitura e comigo. Este primeiro texto vai ter como tema: amigos que não gostam de ler. Posso dizer que este é um assunto sobre o qual eu já queria escrever há muito tempo, por isso, se vos deixou curiosos, é só continuarem a ler. 

Comecemos pelo principio, pela altura em que eu descobri que ler era algo que realmente me dava gosto e prazer. Eu aprendi a ler muito cedo, a partir dos títulos dos rodapés das notícias que davam na televisão e também a partir dos títulos dos jornais e das revistas. Isto, antes de entrar para a escola primária. Durante os quatro anos do primeiro ciclo comecei a ler os livros mais pequenos de contos e depois, quando entrei para o segundo ciclo, descobri que a minha escola tinha uma biblioteca e que podíamos levar os livros para ler em casa, e começou aí a minha perdição. Mas comecei a perceber que havia algo que faltava. Faltavam amigos, pessoas da minha idade que gostassem de ler, como eu, e com quem pudesse falar sobre livros. É verdade que nunca tive muitos amigos, tenho os suficientes para me considerar feliz e sortuda por tê-los ao meu lado, mas tive ainda menos amigos que gostassem de ler e que partilhassem ideias comigo. Essa sempre foi uma sensação que fez parte de mim, um sabor agridoce por ser a "única da turma que gosta de ler", que mais tarde se tornou a "única da turma que gosta de escrever". Com o tempo aprendi que todos somos diferentes, únicos, que nem todos gostamos das mesmas coisas. Com o tempo, fui-me sentido especial, fui criando o meu mundo, fui gostando de ser aquela amiga que anda sempre com livros atrás e que gosta de ler "calhamaços". Com o tempo, essa foi sendo a minha realidade e fui-me sentido mais integrada no meu grupo de amigos, embora continuassem sempre a existir alturas em que eu me sentia de parte quando todos eles falavam sobre animes ou videojogos e eu não percebia nada daquilo. Mesmo que eu não me interessasse por esses assuntos, às vezes perguntava-lhes de que jogo ou de que anime estavam a falar, só para não me sentir tão à parte. E não acontece tantas vezes como eu gostaria, mas teria sido simpático perguntarem-me também sobre o que é que fala o livro que eu estou a ler. Apesar de tudo, os meus amigos não descriminam quem é diferente deles, eles aceitam, e isso já é meio caminho andado para eu, no final do dia, me sentir realizada e feliz por eles me aceitarem como eu sou. Mas confesso que, não consigo deixar de o fazer, estou sempre a recomendar livros e a tentar incentivá-los a ler. Nem que sejam só os meus textos e as minhas histórias, porque eu sei que eles têm orgulho naquilo que escrevo e naquilo que me estou a tornar.

E pronto, acho que vou ficar por aqui. Espero não me ter dispersado muito do tema principal e espero que tenha transmitido a mensagem que era suposto. Se gostaram deste primeiro texto, convido-vos a ficarem atentos e acompanharem o resto desta saga. Até ao próximo texto, fiquem bem, comentem e partilhem nas redes. 

Um beijo. 



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Acabei o Curso, e Agora?

 No passado mês de julho, terminei a minha licenciatura em Comunicação e Media pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria. Desde então, enviei muitos currículos, seja para trabalhos na minha área ou não. Embora eu acredite que termos um diploma e um curso superior nos abre mais portas e oferece mais oportunidades a nível de carreira, também sei ser realista e reconhecer que nada nos garante que vamos ter emprego na nossa área de formação imediatamente depois de terminarmos o curso. Sei que o meu ponto de vista não é consensual, mas a verdade é que o dinheiro não cai do céu e é sempre bom ter um plano B quando o plano A não corre como esperamos. Porque, de qualquer forma, tenho de trabalhar. Também decidi não fazer mestrado exatamente por isso; porque quero ganhar experiência profissional e independência financeira. Não tenho medo de trabalhar nem vergonha de aprender coisas novas. Também não serei a primeira pessoa a trabalhar em algo que não é pro...

I am (not) feeling 22

Hoje, dia seis de janeiro de dois mil e vinte seis, faço vinte e dois anos.  E a primeira coisa que me passa pela cabeça quando penso na idade que faço é: que horror! O tempo está a passar absurdamente rápido e parece-me uma idade demasiado "séria". Porque, tal como diz o título deste texto, não me sinto com 22 anos*. Mas talvez não me sentir com 22 anos não seja rejeitar a idade, mas aprender a lidar com ela à minha maneira. De repente já sou adulta, já trabalho, já ganho o meu próprio dinheiro, já desconto para a segurança social e as crianças e adolescentes já me tratam por senhora! Se, aos catorze anos, me tivessem dito que a minha vida ia dar tantas voltas, eu não acreditava. Sinto que sou sempre ligeiramente repetitiva nos textos que publico sobre o meu aniversário, ou até sobre o fim de ano, mas não é propositado. De facto, tenho sentido o tempo a passar demasiado depressa. O tempo passa por entre os meus dedos e às vezes nem sei o que fazer com ele; por vezes até pare...

Review - Livros de Leslie Wolfe

Em primeiro lugar, devo avisar que este artigo é maioritariamente direcionado para as pessoas que, tal como eu, gostam de ler. Caso não gostem de ler mas estejam interessados de conhecer a história por detrás destes livros ou gostem deste tipo de conteúdo então convido-vos também a continuar a ler. Escolhi estes três livros da Leslie Wolfe para serem os protagonistas da minha primeira review aqui no blog. Para começar: Quem é Leslie Wolfe? Leslie Wolfe é uma escritora norte-americana cujos livros se tornaram bestsellers e cujo trabalho tem sido elogiado pelos leitores e pela crítica, desfrutando de um sucesso e reconhecimento crescentes, com solicitações diversas, incluindo da indústria cinematográfica de Hollywood. Os romances de Leslie quebram o molde dos thrillers tradicionais, surpreendendo pela notável compreensão da natureza humana e pela forma invulgar como retratam os ambientes, as situações e as personagens. O meu primeiro contacto com a autora foi através do livro "A rap...