[escrito em Janeiro de 2021]
Escrevo este segundo texto naquele que é o sétimo dia do meu segundo confinamento. Senti a necessidade de partilhar convosco vários assuntos que me têm perturbado e feito questionar recentemente, por isso espero que gostem.
Em primeiro lugar: a morte. Quando o covid chegou, tirou-nos a oportunidade de nos despedirmos das pessoas como merecem. Impediu-as de terem uma despedida digna e de partirem e receberem o adeus de todos aqueles que as amaram durante a sua vida. Em 2020 recebi várias vezes a notícia da morte de várias pessoas com as quais eu cresci e que me eram bastante queridas. E durante dias fiquei sem reação, fiquei sem acreditar que aquilo estava realmente a acontecer. Durante dias a minha mente foi invadida por memórias que eu tinha daquela pessoa e isso foi duro porque ficou a ilusão de que essa pessoa ia voltar. Mas não voltou. E essa é uma das piores sensações. Estares à procura da pessoa quando vês outros membros da família dela e ela não estar lá. É assustador. Este ano isso voltou a acontecer e deixou-me ainda mais abalada. É horrível não te conseguires despedir de pessoas que acompanharam o teu crescimento e que tu davas a sua presença como garantida na tua vida.
Tenho medo que nos tornemos pessoas inconscientes, desapegadas e frias no final disto tudo. Mas não é só disso que tenho medo…
Tenho medo que as pessoas percam os bons hábitos e sigam maus caminhos. Tenho medo que as pessoas já não distingam o saudável do tóxico e que o amor deixe de aparecer no dicionário. Tenho medo que as pessoas deixem de se falar, de dizer amo-te ou gosto de ti ou tenho saudades. Que os almoços com 10 ou mais amigos se tornem almoços com 2 ou 3 porque fulano x ou y se afastou (isto depois do covid passar, claro). Não percebo. Percebo que as pessoas precisem do seu espaço mas não percebo esse egoísmo, essa falta de empatia, esse sentimento que se evaporou. Porque é preciso falar. É preciso ser lamechas. Ligar. Mandar mensagens. Dizer que precisamos que pessoa x ou y esteja presente. E não há mal nenhum nisso. Porque amanhã pode ser tarde demais. Porque a falta de comunicação e respeito entre as pessoas é aquilo que estraga mais as relações, sejam elas amorosas ou não. E isso magoa-me bastante. Eu sou uma pessoa que procura estar sempre presente na vida dos meus amigos. Que está sempre lá, até quando não deve. Que insiste quando a melhor decisão a fazer é desistir. E custa-me saber que muita gente se está a afastar daqueles que mais precisam, sobretudo agora. Não deixem que a distância física se transforme nunca em distância emocional. Estamos no século XXI é a era dos telemóveis, da internet, da comunicação, hoje é tão fácil ligar ou mandar mensagem a alguém que está longe e não vemos há algum tempo. É sempre melhor ter alguém por perto disponível a ouvir-nos e a aconselhar-nos.
Bem, acho que vou ficar por aqui, espero não ter sido muito confusa e que tenham entendido a mensagem. O próximo texto desta saga sai daqui a uma semana. Até lá, fiquem bem.
Um beijo.
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