Bem, este é de longe o texto que eu estava a planear escrever acerca do fim do semestre. Mas acontece que no dia vinte e um de janeiro à tarde, o primeiro ministro decretou por quinze dias o encerramento das escolas, o que quer dizer que eu vou ficar em casa de férias durante quinze dias ou mais. Hoje deveria ser o último dia de aulas do primeiro semestre, um semestre atribulado e desafiante que exigiu bastante de mim. Eu ainda tinha a esperança de conseguir passar o semestre inteiro em ensino presencial e de facto isso esteve prestes a acontecer. Mas o país está numa situação catastrófica e esta decisão era inevitável, eu sei. Tenho noção de que mais tarde ou mais cedo isto ia acontecer e já estava a mentalizar-me. Tive muita dificuldade em lidar com esta decisão o ano passado e comecei a mentalizar-me precisamente para não ficar ansiosa e entrar em negação como aconteceu da primeira vez. A verdade é que, como já devem ter percebido, eu prezo bastante a minha rotina e o meu dia a dia na escola, mas desta vez admito que estava a precisar de uma pausa. Se as coisas tivessem corrido como planeado, hoje terminaria o semestre e eu estaria de férias durante os seis dias seguintes. Mas como já tivemos a confirmação de que não vale a pena fazer planos, vou ficar quinze dias de férias e não seis, não me posso queixar.
Só posso dar razão a quem me disse que o décimo primeiro ano era o pior ano dos três anos do secundário. Nunca frequentei explicações por isso todas as minhas notas são fruto do meu esforço, são mérito meu. E quando se está nesta situação a pressão é maior porque estão todos à espera que proves o quão boa és. Este ano letivo foi dividido em semestres e não em períodos como eu estava habituada. O primeiro semestre começou em setembro e acabaria hoje, como já referi. O método de avaliação também foi diferente. Na maior parte das disciplinas apenas fiz um teste durante todo o semestre mas, para compensar, fiz vários outros trabalhos que exigiam bastante de mim também. A carga horária é grande, mas não ao ponto de me poder queixar. Os professores estiveram sempre disponíveis e foram bastantes compreensivos, a meu ver, ao longo destes meses de aulas. A minha turma… bem a minha turma é a mesma do ano passado e nós somos todos muito diferentes mas muito empenhados e dedicados e temos uma capacidade de argumentação que os professores elogiam regularmente. A minha maior insegurança e aquilo que me tira mais o sono, são os exames. Ainda não se sabe quase nada em relação a isso. Não sei se vou fazer um ou dois exames mas também não me faz bem pensar muito nisso agora, é viver um dia de cada vez.
Tenho de admitir que me assusta pensar que o ano que vem será o último. Como assim!? Olhar para trás deixa-me orgulhosa mas muito nostálgica. Tentar visualizar o futuro deixa-me bastante insegura e a questionar se vou conseguir lá chegar. Porque ainda não tenho a certeza do que quero e do que vou ser capaz de fazer. Por isso gosto de ter os pés bem assentes na terra. Nos próximos quinze dias estarei em casa, depois não sei. Prometo voltar com novidades quando estes quinze dias acabarem e quando for possível ter alguma certeza. Até lá fiquem bem e fiquem em casa o mais que puderem. Em breve voltarei.
Um beijo.
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