Avançar para o conteúdo principal

"Dizem"

 

Dizem-me para ser sincera, e eu sou.  

Dizem-me para dar a minha opinião, e eu dou.  

Dizem-me para falar, para não me calar, e eu falo e não me calo. 

E depois não me querem ouvir 

e fazem-me cair.  

 

Dizem-me para viver,  

para ser eu mesma sem ceder. 

E no final dizem que não valho nada, 

que sou uma desgraçada  

e que não vou chegar a lado nenhum,  

que nunca vou merecer alguém como tu.  

 

Dizem-me para ter esperança,  

que quem espera sempre alcança,  

mas eu já estou aqui há demasiado tempo  

à espera do momento 

que sei que nunca vai chegar  

e eu vou acabar 

aqui   

a guardar o amor que nunca chegou a ti.  

 

Dizem-me tantas coisas  

que eu já nem sei para que lado me virar.  

Não sei quando é que este pesadelo vai acabar 

nem quando vou conseguir dormir  

sem pensar naquilo que vão dizer a seguir.  


- Carina Subtil 

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Acabei o Curso, e Agora?

 No passado mês de julho, terminei a minha licenciatura em Comunicação e Media pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria. Desde então, enviei muitos currículos, seja para trabalhos na minha área ou não. Embora eu acredite que termos um diploma e um curso superior nos abre mais portas e oferece mais oportunidades a nível de carreira, também sei ser realista e reconhecer que nada nos garante que vamos ter emprego na nossa área de formação imediatamente depois de terminarmos o curso. Sei que o meu ponto de vista não é consensual, mas a verdade é que o dinheiro não cai do céu e é sempre bom ter um plano B quando o plano A não corre como esperamos. Porque, de qualquer forma, tenho de trabalhar. Também decidi não fazer mestrado exatamente por isso; porque quero ganhar experiência profissional e independência financeira. Não tenho medo de trabalhar nem vergonha de aprender coisas novas. Também não serei a primeira pessoa a trabalhar em algo que não é pro...

I am (not) feeling 22

Hoje, dia seis de janeiro de dois mil e vinte seis, faço vinte e dois anos.  E a primeira coisa que me passa pela cabeça quando penso na idade que faço é: que horror! O tempo está a passar absurdamente rápido e parece-me uma idade demasiado "séria". Porque, tal como diz o título deste texto, não me sinto com 22 anos*. Mas talvez não me sentir com 22 anos não seja rejeitar a idade, mas aprender a lidar com ela à minha maneira. De repente já sou adulta, já trabalho, já ganho o meu próprio dinheiro, já desconto para a segurança social e as crianças e adolescentes já me tratam por senhora! Se, aos catorze anos, me tivessem dito que a minha vida ia dar tantas voltas, eu não acreditava. Sinto que sou sempre ligeiramente repetitiva nos textos que publico sobre o meu aniversário, ou até sobre o fim de ano, mas não é propositado. De facto, tenho sentido o tempo a passar demasiado depressa. O tempo passa por entre os meus dedos e às vezes nem sei o que fazer com ele; por vezes até pare...

Laços de Sangue

Com o passar dos anos e à medida que fui crescendo, fui percebendo que a família é a coisa mais preciosa e importante que temos na vida. Partilhamos o mesmo sangue e a mesma árvore genealógica e agarramo-nos a essas pessoas até ao fim dos nossos dias. Há amigos que vão e que voltam, e há amigos que se tornam parte da nossa família com o passar do tempo. No entanto, perder um membro da família, sobretudo se for uma pessoa mais próxima de nós, é sempre doloroso.  Em 2023, escrevi o texto "O luto e as coisas que nunca superámos" , que foi lido por mais de cem pessoas. Na altura tinha perdido a minha tia há relativamente pouco tempo e estava a ser complicado lidar com o luto e com a perda. Dois anos depois, senti novamente necessidade de escrever sobre este tema porque a minha mãe perdeu outro irmão e eu perdi mais um tio há cerca de quatro meses.  Os primeiros seis meses deste ano foram particularmente complicados porque estava muita coisa a acontecer ao mesmo tempo na minha vid...