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Desabafos em tempos de Covid

[Escrito em Janeiro de 2021]

Antes de começar, quero avisar que esta nova saga será um complemento da anterior. Os "Desabafos em quarentena" foram escritos enquanto eu estava, de facto, em quarentena e a passar por um período de ensino à distância. Senti a necessidade de desabafar, lá está, e partilhar convosco as minhas frustrações e dúvidas e, embora tenham sido poucas as pessoas que leram, foi muito importante para mim escrever sobre aquilo que me estava a incomodar. Desta vez escrevo este primeiro texto dos "Desabafos em tempos de Covid" na escola, em ensino presencial, felizmente ou não. Começo esta nova saga de textos a fazer um aviso. Tudo o que eu escrever aqui, vai ter a ver única e exclusivamente comigo. Serão os meus sentimentos, a minha opinião e tudo aquilo que eu peço é respeito, e que leiam e vos traga algum conforto se porventura estiverem a passar pelo mesmo que eu. 
Apresentações e devidas explicações feitas, vamos ao que interessa. Existem dias em que eu simplesmente não estou bem. E acredito que vocês também tenham dias menos bons. Mas eu estou a receber ajuda de uma profissional. Desde novembro, mais ou menos, que eu estou a receber ajuda da psicóloga da escola. A minha escola, felizmente, tem disponível uma psicóloga muito querida à qual podemos recorrer se assim quisermos. Eu ainda sinto que as escolas tratam a saúde mental como se fosse tabu, mas acredito que a pouco e pouco esse pensamento vai ser desconstruído, deve ser desconstruído. Quero acreditar que isso vai acontecer. Porque a saúde mental é tanto ou mais importante do que a saúde física. É a saúde mental que muitas vezes leva a que jovens da minha idade, e não só, se suicidem. E isso é terrível e desumano. Porque para muitas pessoas a depressão e os problemas de saúde mental são só "fita" ou "drama" ou "coisas que passam". Mas as coisas não funcionam assim. Mas voltando a mim. A pandemia, a escola e a minha vida pessoal, começaram a mexer no meu psicológico de uma forma que eu não estava a conseguir controlar. Por esse motivo e porque também já tinha recorrido a ela o ano passado, comecei a ter sessões semanais que depois passaram a ser quinzenais. Devo dizer que essa foi a melhor decisão que eu tomei. É ótimo falar com alguém que não tem nada a ver com a tua vida e que mesmo assim te consegue dar os melhores conselhos. É ótimo ter alguém que te ouve, que não te julga e que respeita e compreende as tuas atitudes e decisões. Nesta altura tão complicada para o país e para o mundo, eu muitas vezes sinto-me encurralada, num beco sem saída, desesperada, e estar na psicóloga ajudou-me a ficar mais tranquila. Por isso se precisarem de ajuda, não hesitem. Não pensem que são os únicos a viver no meio do medo, da incerteza, a viver rodeados de lágrimas, a viver com saudades de poder abraçar e beijar os vossos mais queridos. 
Peço desculpa se estiver a ser demasiado repetitiva, mas achei importante falar sobre isto de novo. Começar esta saga a falar sobre este assunto. Porque existe solidão, existe dor, pessoas que sofrem em silêncio, pessoas que têm medo de se expressar. Depois disto é necessário, é urgente fazer alguma coisa para ajudar a melhorar a qualidade de vida e saúde mental de todos aqueles que sofreram. Dentro de mim cresce a cada dia uma incerteza do tamanho do mundo. O próprio ato de ir para a escola começa a deixar-me ansiosa. O próprio facto de eu saber que amigos meus já sentiram na pele o que é receber um teste positivo deixa-me ansiosa. É uma sensação de estar num beco sem saída, uma sensação de revolta, de impotência, a sensação de sentir a normalidade tão distante. Mas mesmo assim, consigo sentir-me sortuda porque, graças a Deus, vivo num fim do mundo onde, até ver, ninguém recebeu essa má notícia. Garanto-vos que, se eu e a minha família conseguirmos "escapar a isto" sem ter o vírus a bater à nossa porta, que vou a pé a Fátima. Sei que muitos de vocês não são católicos nem seguem uma religião mas esta é a minha crença e é nas mãos de Deus que eu encontro a minha esperança. 
Para terminar este artigo que já vai longo, anuncio que vou tentar ser mais assídua aqui com os textos e desejo brevemente conseguir partilhar convosco o meu livro. 
Até lá, protejam-se, fiquem em casa o mais que puderem e não percam a esperança. Melhores dias virão. 
Um beijo. 


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