Eu não sou perfeita. Tenho muitas qualidades mas também tenho muitos defeitos. Tenho curvas. Tenho estrias. Tenho um bocado de gordurinha a mais. Tenho pouca paciência. Odeio desorganização. Tenho, felizmente, muito boa memória. E sou também um pouco insegura. Muitas vezes não sou eu própria e não dou o melhor de mim. Muitas vezes não gosto do meu corpo nem visto a pele de rapariga confiante todos os dias. Sou muito dada às pessoas e apego-me muito facilmente a elas e por isso já muitas vezes me desiludi. Sou muito transparente e por isso as pessoas notam muito facilmente quando não estou bem. Sou apaixonada por livros e pela escrita, que foi a forma que eu encontrei para expressar melhor os meus sentimentos e pensamentos. Algumas pessoas dizem que eu sou escritora, mas eu acho que ainda estou muito longe de lá chegar porque ainda há muito que aprender e muito caminho para percorrer. Algumas das minhas inseguranças expressam-se muitas vezes naquilo que escrevo. Penso sempre que não ficou bem e que as pessoas não vão gostar. As pessoas. São sempre as pessoas. Preciso sempre de estar em contacto com pessoas, de ter pessoas à minha volta, porque são elas que me inspiram e me encorajam. As pessoas sempre tiveram um peso enorme da minha vida, sempre liguei muito aquilo que elas me diziam. Ligava tanto à opinião das pessoas e preocupava-me tanto com aquilo que elas pensavam que durante muito tempo não pensei em mim. Não me valorizava como valorizo hoje em dia. Era muito, muito insegura e não tinha grande autoestima, mas não o conseguia admitir. De há dois anos para cá a minha opinião sobre mim mudou. Eu mudei e passei a valorizar - me mais. Passei a ter mais cuidado com o meu corpo e com a minha mente, tomei consciência de quem eram os meus verdadeiros amigos, das coisas que me faziam bem e que que me faziam mal, e dediquei-me a criar este blog e a fazer aquilo que realmente me realizava. Quando entrei para o secundário pensei que as coisas iam correr às mil maravilhas, mas não foi assim. No primeiro período correu tudo pior do que eu imaginava. As minhas notas desceram a pique e eu fiquei desesperada a pensar que não estava a dar o meu melhor, senti muitas vezes que estava a falhar. No segundo período as coisas melhoraram e essa tempestade que me invadiu no primeiro período foi desaparecendo aos poucos. As coisas correram muito melhor. Consegui subir as minhas notas e estava feliz outra vez, tinha conseguido reencontrar-me e reencontrar outra vez a minha paz interior. Até que surgiu o corona vírus e virou a minha vida, e a vida de milhões de pessoas no mundo, do avesso. Os primeiros tempos em quarentena não foram de todo fáceis. Não conseguia mentalizar-me de que não ia poder voltar à escola e não podia estar com os meus amigos. Até que me adaptei à rotina. Dediquei - me mais ainda à leitura, refugiei-me na escrita, esforcei - me nos estudos e decidi cuidar de mim. Durante todo este tempo confesso que me senti bastante confiante de mim mesma e a minha autoestima subiu. Tive momentos altos mas também houveram momentos em que estive mais em baixo, mas acho que toda a gente tem também estes momentos de instabilidade emocional, sobretudo agora. Se me perguntarem se hoje me sinto bem e estou feliz, eu digo que sim. Estou melhor que nunca, estou feliz, a morrer de saudades dos meus amigos e da minha família e ansiosa por abraçá-los de novo. Quem me dera a mim e a todos que este vírus fosse apenas um pesadelo daqueles que nos tiram o sono e depois de acordarmos fica tudo bem, mas eu sei que não é assim tão simples.
Tudo aquilo que eu referi ao longo deste texto é o reflexo daquilo que eu sou hoje, porque todos os dias nós evoluímos, crescemos e aprendemos algo novo e no final vamos olhar para trás e pensar que todo esse caminho valeu a pena.
Carina, és uma verdadeira escritora!! Se continuares nesta linha, vais ter a recompensa, no futuro. Parabéns!! Continua assim, tenho orgulho de te conhecer!! Beijinhos, tu vais chegar lá!!!
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