Avançar para o conteúdo principal

Desabafos em quarentena #4


E num abrir e fechar de olhos já chegámos a maio. O quinto mês do ano. O mês mais bonito. O mês de Maria. O mês da mãe. O mês em que três pessoas muito importantes para mim fazem anos. Uma delas é a minha irmã, que fez 23 anos no passado dia 2 de Maio. A minha ideia era ter-lhe dedicado um texto aqui no blog mas a verdade é que não estava com inspiração suficiente para isso, desculpa maninha. Maio também passou a ser o mês da esperança. Finalmente o estado de emergência acabou e foi-nos permitido sair à rua e voltar aos poucos à rotina, mas com todas as proteções, claro. No dia 5 de maio, depois de quase dois meses em quarentena e sem sair da minha zona de residência, andei de carro e vi pessoas outra vez. Devo admitir que fiquei bastante feliz mas que esta nova realidade me assusta um pouco. As pessoas parecem andar com medo umas das outras, nos supermercados existe um cuidado enorme à entrada e à saída, ninguém entra sem máscara em lado nenhum. Por agora é só isto que nos pedem, não é verdade? Que nos protejamos, que façamos esse sacrifício de usar a máscara se queremos realmente ter a nossa vida de volta, embora aos poucos, porque isto ainda não passou e o virus ainda anda por aí. Mas a minha esperança é cada vez maior. Neste texto queria também aproveitar para falar no impacto que esta quarentena teve em mim enquanto pessoa. Creio que estar em casa e ter tempo para refletir, pensar, cuidar de mim e fazer coisas que gosto, me fez aumentar a minha autoestima e me deixou mais confiante de mim, não sei se isto faz sentido. Ao início, como já referi, fiquei bastante revoltada e desorientada com toda esta situação e com o facto de ter de mudar drasticamente a minha rotina e aquilo que fazia no meu dia a dia. Mas agora a poeira já assentou. De um modo geral os meus dias são assim: acordo por volta das 8/9h, dependendo da hora a que tenho aulas síncronas, tomo o pequeno almoço e dedico a minha manhã toda às tarefas da escola. Nos dias em que tenho aulas síncronas à tarde ou trabalhos para fazer, dedico-me a fazê - los, caso não tenha, aproveito para ler e para escrever também, para caminhar e fazer exercício físico e também para ver series ou filmes. A minha rotina tem-se baseado muito nisto nos últimos tempos. Percebi que é muito importante manter uma rotina e manter a organização na nossa vida para não nos sentirmos ansiosos nem desorientados nem pensarmos muito na situação em que nos encontramos, por isso pode afetar a nossa saúde mental. É muito importante mantermo-nos ativos e distraídos e termos uma rotina. Gostaria de esclarecer uma coisa antes de me despedir. Sei que nos últimos tempos não tenho escrito muito aqui no blog para além destes desabafos, mas a verdade é que não tenho tido inspiração para escrever mais nada para além disto. Tudo o que escrevo é sincero e reflete aquilo que sinto e aquilo que penso. E nem sempre os escritores têm inspiração, existem também momentos de bloqueios criativos. E quando isso acontece é frustrante e acabamos por escrever mais coisas tristes e repetitivas. E como eu não gosto de ser repetitiva opto por não escrever. Espero que compreendam o que quero dizer. Por agora é tudo, até breve. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Acabei o Curso, e Agora?

 No passado mês de julho, terminei a minha licenciatura em Comunicação e Media pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria. Desde então, enviei muitos currículos, seja para trabalhos na minha área ou não. Embora eu acredite que termos um diploma e um curso superior nos abre mais portas e oferece mais oportunidades a nível de carreira, também sei ser realista e reconhecer que nada nos garante que vamos ter emprego na nossa área de formação imediatamente depois de terminarmos o curso. Sei que o meu ponto de vista não é consensual, mas a verdade é que o dinheiro não cai do céu e é sempre bom ter um plano B quando o plano A não corre como esperamos. Porque, de qualquer forma, tenho de trabalhar. Também decidi não fazer mestrado exatamente por isso; porque quero ganhar experiência profissional e independência financeira. Não tenho medo de trabalhar nem vergonha de aprender coisas novas. Também não serei a primeira pessoa a trabalhar em algo que não é pro...

I am (not) feeling 22

Hoje, dia seis de janeiro de dois mil e vinte seis, faço vinte e dois anos.  E a primeira coisa que me passa pela cabeça quando penso na idade que faço é: que horror! O tempo está a passar absurdamente rápido e parece-me uma idade demasiado "séria". Porque, tal como diz o título deste texto, não me sinto com 22 anos*. Mas talvez não me sentir com 22 anos não seja rejeitar a idade, mas aprender a lidar com ela à minha maneira. De repente já sou adulta, já trabalho, já ganho o meu próprio dinheiro, já desconto para a segurança social e as crianças e adolescentes já me tratam por senhora! Se, aos catorze anos, me tivessem dito que a minha vida ia dar tantas voltas, eu não acreditava. Sinto que sou sempre ligeiramente repetitiva nos textos que publico sobre o meu aniversário, ou até sobre o fim de ano, mas não é propositado. De facto, tenho sentido o tempo a passar demasiado depressa. O tempo passa por entre os meus dedos e às vezes nem sei o que fazer com ele; por vezes até pare...

Laços de Sangue

Com o passar dos anos e à medida que fui crescendo, fui percebendo que a família é a coisa mais preciosa e importante que temos na vida. Partilhamos o mesmo sangue e a mesma árvore genealógica e agarramo-nos a essas pessoas até ao fim dos nossos dias. Há amigos que vão e que voltam, e há amigos que se tornam parte da nossa família com o passar do tempo. No entanto, perder um membro da família, sobretudo se for uma pessoa mais próxima de nós, é sempre doloroso.  Em 2023, escrevi o texto "O luto e as coisas que nunca superámos" , que foi lido por mais de cem pessoas. Na altura tinha perdido a minha tia há relativamente pouco tempo e estava a ser complicado lidar com o luto e com a perda. Dois anos depois, senti novamente necessidade de escrever sobre este tema porque a minha mãe perdeu outro irmão e eu perdi mais um tio há cerca de quatro meses.  Os primeiros seis meses deste ano foram particularmente complicados porque estava muita coisa a acontecer ao mesmo tempo na minha vid...