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Mensagens

Desabafos de uma estudante universitária #9

 #9 O Estágio e o Fim da Licenciatura  "Linda Leiria, quero cantar-te. Sou estudante da terra distante, sempre vou amar-te." É com muito orgulho que chego ao fim desta etapa. Nos últimos três anos, dediquei-me exclusivamente ao meu curso e não me arrependo disso. Foram três anos de muito trabalho, muito empenho, muita ansiedade, muita dedicação, muitas dores de cabeça e também muitas noites mal dormidas. Creio que já aqui disse isto, mas sempre pensei que ir para a universidade era uma coisa que só acontecia aos outros, aos mais inteligentes, aos mais ricos, aos mais populares, aos que têm a certeza daquilo que querem fazer no futuro. Na minha cabeça, o ensino superior era um desfio tremendo e só os melhores podiam estar à altura. Mas eu estava enganada, porque consegui. Tenho muito orgulho em mim e naquilo que consegui. Mas não foi um percurso fácil. Comecei o primeiro ano com vontade de desistir, com vontade de me ir embora por me sentir demasiado deslocada, desamparada e s...

Porque Escrevo?

Não sei fazer mais nada na vida além de escrever. Escrevo como se a minha sobrevivência dependesse disso. Escrevo com uma urgência que transcende a compreensão humana. Escrevo como se precisasse mais das palavras do que de ar para respirar. Escrevo porque me faltam pessoas para falar sobre os meus problemas e porque o medo da incompreensão é maior que o medo da solidão. Escrevo porque me liberta e porque ajuda a fechar todas as feridas. Mesmo que o que eu diga não faça sentido. Escrevo quando me dói a alma ou quando preciso de manter a calma, tal é a tempestade que vai no meu peito ou na minha cabeça. Escrevo para acreditar mais em mim, talvez assim consiga confiar nas minhas próprias escolhas e intenções, talvez assim consiga exprimir melhor as minhas emoções. Escrevo em prosa e em verso. Escrevo o abstrato e o concreto. Escrevo factos e escrevo opiniões. Escrevo as melodias que fazem aquecer os corações. Escrevo coisas que não partilho com ninguém e coisas que me dão vontade de parti...

Esperar em Silêncio

Esperei tantas vezes por ti. Esperei tantas vezes por uma mensagem tua assim que chegasses a casa do trabalho. Esperei tantas vezes por uma notícia tua com novidades sobre a tua família. Esperei tantas vezes que partilhasses comigo as tuas conquistas. Esperei por tanta coisa.  Dizem que quem espera sempre alcança, mas a única coisa que eu alcancei foi a solidão. Provei do meu próprio veneno. Deixei que a minha felicidade, que a minha identidade e credibilidade voassem com o vento. Deixei-te ir. Porque eu esperava que me desses o que eu nunca te consegui dar. Esperava que fizesses o que eu nunca consegui fazer. Esperava pelo sucesso de uma relação que nunca teve realmente pernas para andar. Esperava que conseguisses organizar a confusão que é a minha vida. Esperava que conseguisses curar todas as feridas do meu coração. Esperava que conseguisses tranquilizar a minha mente. Esperava que tudo fosse tão diferente.  Tudo o que eu fiz foi esperar. Esperar. Esperar. Esperar. Esperar ...

Infinito

Achamos que somos imortais, eternos, infinitos. Talvez seja verdade. Talvez sejamos imortais, eternos e infinitos na mente e no coração daqueles que permanecem depois de partirmos. Talvez essas sejam as pessoas verdadeiras. Porque, mesmo que vivamos numa realidade em que a esperança é pouca, temos sempre de nos apegar à verdade. Que é, também ela, imortal, eterna e infinitoa. Ou, pelo menos, quero acreditar nisso.  Temos de nos apegar a alguma coisa, porque somos seres humanos, de carne e osso, com corações que batem com urgência mas que carregam, muitas vezes, muitos segredos. Corações que são, aparentemente, infinitos e inesgotáveis. Carregam dores, amores, memórias. Carregam pedaços de vidro, de todas as vezes que sofreram assaltos. Carregam incertezas e cicatrizes. Carregam o peso do silêncio, da solidão, da escuridão. Mas, de que vale ter um coração hoje em dia, quando há sempre alguém disposto a roubá-lo, a magoá-lo, a usá-lo como se fosse um brinquedo? De que vale ser uma bo...

Contrakapa

O Contrakapa é um podcast sobre livros e leituras realizado por estudantes do meu curso e no qual eu participei ao longo da minha licenciatura. É um projeto que, com o passar do tempo, se tornou muito especial e importante para mim, por isso, e antes de ir para estágio, decidi dedicar-lhe este texto. O podcast está disponível no Spotify, basta escreverem Contrakapa na barra de pesquisa, mas vou deixar no final deste texto um link onde também estão disponíveis todos os episódios, caso queiram ouvir. Neste texto, vou falar um pouco sobre a minha participação neste projeto e explicar os motivos que me fazem gostar tanto dele, por isso, se tiverem interesse, continuem a ler.  Começo por dizer que nunca gostei da minha voz, e quem me conhece sabe isso. Antigamente, nunca ouvia as mensagens de voz que enviava aos meus amigos porque ouvir a minha voz me fazia imensa confusão. Nunca tive uma dicção perfeita e cheguei até a andar na terapia da fala para tentar corrigir isso. Quando andava n...