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Desabafos de uma estudante universitária #9

 #9 O Estágio e o Fim da Licenciatura 

"Linda Leiria, quero cantar-te. Sou estudante da terra distante, sempre vou amar-te."

É com muito orgulho que chego ao fim desta etapa. Nos últimos três anos, dediquei-me exclusivamente ao meu curso e não me arrependo disso. Foram três anos de muito trabalho, muito empenho, muita ansiedade, muita dedicação, muitas dores de cabeça e também muitas noites mal dormidas. Creio que já aqui disse isto, mas sempre pensei que ir para a universidade era uma coisa que só acontecia aos outros, aos mais inteligentes, aos mais ricos, aos mais populares, aos que têm a certeza daquilo que querem fazer no futuro. Na minha cabeça, o ensino superior era um desfio tremendo e só os melhores podiam estar à altura. Mas eu estava enganada, porque consegui. Tenho muito orgulho em mim e naquilo que consegui. Mas não foi um percurso fácil. Comecei o primeiro ano com vontade de desistir, com vontade de me ir embora por me sentir demasiado deslocada, desamparada e sozinha numa cidade estranha. Chorei muito e tive muitos ataques de pânico sozinha. Tive de ultrapassar muitos obstáculos e aprender a lidar com eles sozinha. Mas olhando para trás, sei que tudo valeu a pena. Sei que tudo serviu para me fazer crescer enquanto pessoa, para me fazer aprender coisas novas e para me dar certezas sobre aquilo que realmente gosto de fazer.

O último semestre da licenciatura foi dedicado exclusivamente ao estágio curricular. Realizei o meu estágio curricular no jornal Região de Leiria. Foram doze semanas onde aprendi muito, contactei com muitas pessoas, conheci outras tantas e vivi experiências que de outra forma não viveria. Confesso que, nos primeiros dias de estágio, me senti muito mal: ao fim do dia chegava a casa e começava a chorar porque me sentia extremamente burra e inútil em relação aos outros. Mas, com o passar do tempo, as coisas foram melhorando. Adaptei-me à rotina, às pessoas, ao ambiente, dedicava-me a dar o meu melhor nas tarefas que me eram atribuídas.

Ainda durante o segundo semestre, no dia 24 de maio, aconteceu a cerimónia de Entrega das Pastas e Bênção de Finalistas. Foi um dia muito emotivo, muito bonito e muito cansativo, mas também um dos mais especiais e felizes da minha vida. Alguns dos meus familiares e amigos mais próximos estiveram presentes. Foi um dia que vou recordar para sempre. Chorei muito também, mas foram lágrimas de alegria. Alegria por ter chegado ao fim desta fase. Alegria por ter tido o apoio incondicional dos meus amigos e da minha família ao longo dos últimos três anos. Alegria por ter tido o privilégio de partilhar este dia com os meus colegas. Alegria por ter conseguido superar todas as minhas expectativas, inseguranças e ansiedades. Alegria pelo futuro que me espera. Às pessoas a quem entreguei as minhas fitas de finalista, espero que se sintam importantes, porque realmente são. Comprei cerca de vinte e cinco fitas e apenas selecionei as pessoas que me fazem sentido e que acompanharam o meu percurso.

Entrei para a universidade com vontade de ser jornalista e foi por esse motivo que escolhi este curso. Estagiar numa redação de um jornal foi uma experiência extremamente enriquecedora e inesquecível. No entanto, o estágio também me fez compreender melhor a responsabilidade de um jornalista e o seu papel na sociedade, além da forma como as pessoas olham para os jornalistas que nem sempre é a mais correta. O jornalismo é uma profissão que exige muita responsabilidade, maturidade e imparcialidade. Não sei se quero apostar numa carreira enquanto jornalista num futuro próximo ou se prefiro explorar outras áreas no âmbito da comunicação. Para já, quero procurar trabalho. Se encontrar trabalho na minha área, excelente. Se não, também não me importo de trabalhar em outra coisa qualquer que apareça. Não quero fazer mestrado para já, além de não ter possibilidades económicas para tal, também não me sinto capaz psicologicamente para passar mais dois ou três anos na universidade e queimar os neurónios que me restam na dissertação de mestrado. Também não descarto a possibilidade de voltar a Leiria um dia. Quero passar uma temporada em casa, trabalhar, juntar algum dinheiro e depois logo se vê, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa, Leiria será sempre casa.

Aos que acompanharam esta série, texto após texto, espero que tenham gostado e que se sintam motivados ou inspirados. Mesmo que ás vezes sintam que não são capazes, mesmo que tenham vontade de desistir, seja por saudades de casa ou por outro motivo qualquer, saibam que, mais tarde ou mais cedo, esse sentimento vai passar. Vocês são capazes sim, nunca duvidem do vosso valor! E não tenham medo ou vergonha de lutar pelos vossos sonhos ou ambições porque, se não o fizerem, ninguém o fará por vocês.

Um beijo e até breve!

- Carina Subtil


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