Achamos que somos imortais, eternos, infinitos. Talvez seja verdade. Talvez sejamos imortais, eternos e infinitos na mente e no coração daqueles que permanecem depois de partirmos. Talvez essas sejam as pessoas verdadeiras. Porque, mesmo que vivamos numa realidade em que a esperança é pouca, temos sempre de nos apegar à verdade. Que é, também ela, imortal, eterna e infinitoa. Ou, pelo menos, quero acreditar nisso.
Temos de nos apegar a alguma coisa, porque somos seres humanos, de carne e osso, com corações que batem com urgência mas que carregam, muitas vezes, muitos segredos. Corações que são, aparentemente, infinitos e inesgotáveis. Carregam dores, amores, memórias. Carregam pedaços de vidro, de todas as vezes que sofreram assaltos. Carregam incertezas e cicatrizes. Carregam o peso do silêncio, da solidão, da escuridão. Mas, de que vale ter um coração hoje em dia, quando há sempre alguém disposto a roubá-lo, a magoá-lo, a usá-lo como se fosse um brinquedo? De que vale ser uma boa pessoa, quando somos todos fingidores e egoístas, focados no nosso próprio futuro mas com um olhar atento sobre o sucesso dos outros?
Perco-me, muitas vezes, no infinito e na imensidão dos meus próprios pensamentos. Afogo-me nas minhas próprias inseguranças. Sufoco-me no precipício das minhas conclusões. Fico atordoada com a rapidez com que passa o tempo e tenho pavor de ver os meus sonhos passarem por entre os meus dedos. Porque tudo é frágil. E, mesmo que o céu seja infinito, há coisas que não o são.
Há oportunidades selvagens e raras que não aparecem duas vezes. Às vezes, abdicamos da nossa própria vida e das nossas próprias vontades em prol do bem estar dos outros. Não queremos roubar o lugar a ninguém. Não queremos ferir o ego de ninguém. Não queremos que ninguém fique triste. Não queremos contrariar as convicções de ninguém. No entanto, deixamos que façam isso connosco. Sentimos a dor de outra pessoa. Dizemos que não foi desta mas vai ser da próxima. Entregamos de bandeja aquilo que era nosso por direito. Dizemos que tinha de ser. Dizemos que há pessoas que merecem mais. Pensamos que estamos a ser altruístas mas, na realidade, estamos a cavar a nossa sepultura, porque sabemos perfeitamente que nunca ninguém faria por nós o que nós fazemos pelos outros. É triste, mas é verdade.
A tristeza é infinita e tem como morada a pessoa mais bonita. Porque a pessoa mais bonita sabe disfarçar a miséria com o poder de um sorriso.
Mas como é que se volta à vida depois do abismo? Tudo me parece tão estupidamente superficial. Tudo me parece tão complicado. Tudo me parece tão vasto. Tudo me parece tão assustador. Dizem que o amor é duradouro mas cada vez duvido mais. Dizem que o amor é infinito mas não é isso que sinto. Dizem que o amor cura tudo mas ainda não sei qual é o meu propósito neste mundo.
Queria ser imortal, eterna, infinita. Queria que todas as pessoas que amo fossem imortais, eternas, infinitas. Mas, infelizmente, tudo tem um prazo de validade. Mesmo que seja difícil acreditar que merecemos e que estamos exatamente onde o nosso destino disse que iríamos estar. A mudança e a ausência são assustadoras porque ninguém nunca está preparado para acolher o vazio aterrador que inunda a nossa vida depois de um adeus. É difícil, mas podemos sempre acreditar que vai ficar tudo bem, que vai ficar tudo melhor. Um dia.
- Carina Subtil
(Texto escrito no dia 24 de janeiro)

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