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Palavras Perdidas #2

#2 Com.ple.xi.da.de
Nome feminino.
Qualidade do que é complexo.
Existência, numa determinada situação ou problema, de uma multiplicidade de dados ou elementos que estabelecem relações intrincadas. 

É comum dizer-se que as coisas mais simples são as mais belas. Mas será isso realmente verdade? Não serão as coisas mais complexas as mais belas só pelo simples facto de terem uma história maior por detrás? De ter existido um processo mais exigente até se chegar ao resultado final? Neste segundo texto sobre palavras perdidas, vou falar sobre isso mesmo, sobre a beleza das pessoas e das coisas mais complexas. Vou falar, sobretudo, da beleza e da inquietude da própria complexidade da nossa vida. 

A complexidade é um tema controverso porque pode ser tanto uma coisa boa como uma coisa má. No que respeita a características pessoais, geralmente as pessoas mais complexas são as mais sacrificadas e desvalorizadas, são aquelas que sofrem mais com as críticas e juízos de valor precipitados, são as que mais sofrem com traumas e, possivelmente, falta de amor. No que respeita às coisas, aos bens materiais, as coisas mais complexas tendem a ser também menos adquiridas, mais desvalorizadas, mais caras ou consideradas menos bonitas e menos cativantes; embora sejam, possivelmente, as que exigem mais horas de trabalho e mais pessoas para as executar. 

A vida não é um mero acontecimento linear; todos os anos, meses, dias, horas, minutos e segundos são únicos e finitos e permitem-nos viver e disfrutar de momentos diferentes. Tudo pode mudar de um momento para o outro, sem estarmos preparados para lidar com isso. Até as nossas próprias emoções, sentimentos e reações são complexas e singulares. A complexidade faz parte de todas as nossas vidas, sendo mais evidenciada nos pequenos pormenores e nas nossas manias: há quem só goste de tomar o seu pequeno almoço numa determinada cafetaria e prefira o seu café frio com bebida de amêndoa, sem açúcar, com canela e com espuma e há quem tome o seu pequeno almoço em casa e goste do seu café puro, sem modernices (ter em conta que isto é apenas um exemplo ilustrativo que me veio agora à cabeça).  Até o próprio desenvolvimento físico e mental dos seres humanos é complexo e objeto de estudo por muitos cientistas. Algumas pessoas têm um desenvolvimento mais rápido, outras pessoas têm um desenvolvimento mais demorado, há até quem tenha algum tipo de problema de saúde que exija um cuidado especial e adaptado às suas necessidades. E essas diferenças não devem ser motivo de discriminação porque tornam a complexidade da vida e da situação ainda mais bela. De uma maneira ou outra todos somos complexos, temos as nossas próprias características, os nossos próprios gostos, as nossas próprias manias, e são todas estas complexidades que nos tornam únicos e nos permitem ser nós mesmos. 

Antes de julgarmos quem e o que quer que seja, devemos observar, agradecer e enaltecer todas as diferenças porque, se olharmos mais para nós mesmos, também vamos ver coisas complexas e sentir-nos únicos todos os dias. Por agora é tudo, espero que tenham gostado. Fiquem bem, sigam a página do blog no instagram, comentem e partilhem este texto para ajudar o blog a chegar a mais pessoas. 

Um beijo e até breve.

- Carina Subtil 



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