O coração pesado,
despedaçado,
perde-se na inércia
da tua existência,
na demora do teu amor
e no desejo pelo calor
do teu corpo
que entretanto se desfez
e me deixou sem rumo.
Não consigo adiar
a minha revolta,
a ansiedade
de te ouvir bater à porta...
Mas apanho todos os vidros
que estão no chão,
as fotos com o nosso abraçar
e a saudade
dos filhos
que nem chegamos a ter
porque nem disso quiseste saber.
A cama ainda tem o teu cheiro
porque agora durmo noutro quarto,
não suporto a ideia de dormir
sem a tua presença ao meu lado,
não aguento a ideia de existir
num mundo onde tu já não estás
e nem consigo disfarçar
porque esta história
já não dá para apagar.
Está tudo vazio.
Não ouço nada.
Perdi-me no tempo.
Esperei tanto por estes momentos
mas a desilusão foi maior
e eu já não sei viver sem dor.
A chuva fria.
A roupa por apanhar.
As gavetas por arrumar.
As tuas coisas pelo chão.
A tua voz que mora
na minha cabeça
e implora para que eu não esqueça
que naquele dia fomos um só
mas depois tudo mudou.
É tudo tão fácil
mas momentaneamente frágil,
que não sabemos separar
a ficção da realidade,
a carência da saudade,
o amor da amizade.
O preto no branco.
O mar e o oceano.
A lucidez e o encanto.
Todas as hipóteses do amor
não estiveram a nosso favor.
E eu só te queria ter podido dizer
que foste tudo o que eu nunca
desejei ter.
(Escrito no dia 12/10/2022)
- Carina Subtil

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