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"Medo"

 

Que eu tenha medo
do que não conheço
e que o abismo
não me encontre,
porque no meio das trevas
hei-de de encontrar
a luz e a minha sorte.

Que o muito
se transforme em pouco
e me faça dançar
à chuva
e abraçar
este coração louco
de amargura.

O medo chega tão cedo,
como a leveza
de um segredo
e, diante de nós,
surge então a certeza
de querer ser assim
e viver como parte de ti.

São as estranhas contradições
da vida,
que sendo tão bela, tão querida...
Se veste como um barco à deriva
e rouba os corações
daqueles que temem o amor
e respiram a sua dor.

É saber que nada é tão perfeito,
como deitar a cabeça
no teu peito
e sentir a segurança
no cheiro de ser criança...

São os pesadelos
de uma noite inquieta,
que corre à luz da vela
e desperta o sonho antigo
porque outrora
também tu sonhaste comigo.

Escrito a 02.06.2022

- Carina Subtil





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