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Desmistificar a existência de pêlos

À semelhança do que fiz no artigo que publiquei em outubro do ano passado sobre a menstruação, pretendo, neste texto, desmistificar outra coisa que faz parte da natureza de todos os seres humanos e outros seres vivos. Com certeza que pelo título já puderam perceber que estou a falar de pêlos. Ao contrário da menstruação, que acompanha as mulheres (e pessoas que têm útero) todos os meses, os pêlos corporais são comuns a ambos os géneros e também a outros mamíferos e seres vivos no planeta. Ter pelos é uma coisa totalmente normal, natural e, ao contrário do que muitas pessoas possam achar, não é sinónimo de falta de higiene. Não sei se têm acompanhado mas a Marie (conhecida nas redes sociais por La Vie de Marie), uma concorrente do Big Brother Famosos 2 (programa atualmente em exibição na TVI), abordou esta temática e admitiu não fazer a depilação e gostar genuinamente de ter pêlos e de cuidar deles. Este foi um assunto controverso que gerou críticas por parte de outra concorrente do programa e foi também por isso que eu decidi só agora publicar este texto e falar sobre este assunto. Ao longo deste texto vou dar-vos o meu ponto de vista sobre isto e também apresentar-vos a definição de pêlos e tentar normalizar algo que já deveria ter sido normalizado há muito tempo. Se estiverem interessados, continuem a ler. 

Em primeiro lugar, o que são afinal os pêlos? Passo a citar: "Os pêlos são os principais constituintes do tugmento dos mamíferos. A principal função dos pêlos certamente é a termorregulação. Os pêlos também podem estar distribuídos pelo corpo do animal com uma especificidade regional para outras funções, tais como, comunicação, proteção contra a luz solar direta, perceção sensorial, camuflagem ou até atração sexual. Em humanos, os cabelos protegem contra os raios solares; as sobrancelhas impedem suor ou sujeiras da testa de cair no olhos; os pêlos do ouvido retém partículas de sujeira, bactérias e insetos e ajudam a lubrificar o canal auditivo; nas narinas, são um filtro natural que limpa impurezas e nos impedem de inalar sujeiras e bactérias; nas axilas, diminuem a fricção e retém o suor para evitar que escorra, como acontece nas costas; e os pelos pubianos regulam a temperatura e previnem o desenvolvimento de bactérias, isso reduz a possibilidade de contrair infeções e doenças."

Podemos então concluir, a partir da leitura deste excerto que se os pêlos existem por algum motivo é. Ter pêlos não é sinónimo de falta de higiene e as pessoas geralmente optam por fazer a depilação apenas por uma questão estética porque, na verdade a falta de pêlos faz mal ao equilíbrio do organismo. Eu tinha treze anos quando fiz a depilação pela primeira vez e confesso que fui pressionada para o fazer por alguns membros da minha família porque, na verdade, eu não estava minimamente incomodada com o facto de ter pêlos. Hoje em dia continuo com a mesma perspetiva, admito que não me depilo regularmente e está tudo bem. Embora não goste de ter pêlos, não me incomoda minimamente que eles existam, por isso é que não me preocupo muito em fazer a depilação e muitas vezes só faço quando me apetece e não quando "tem de ser". Por isso, vamos normalizar o facto de algumas mulheres não estarem sempre depiladas, pode ser? 

Porque é que os homens "podem" ter pelos e as mulheres não? Porque é que antigamente não havia esta preocupação em estar constantemente a marcar depilações? Porque é que os homens, antigamente, elogiavam mulheres que eram peludas e, hoje em dia, exigem que as suas parceiras estejam todas depiladas? Qual é o mal de falar deste assunto? Entre estas questões estão muitas outras que eu às vezes me coloco a mim própria porque não entendo o pensamento da sociedade dos dias de hoje. Para umas coisas estamos muitos avançados mas para outras, aparentemente, a sociedade só têm tendência para recuar. 

Cada corpo é um corpo. Cada vida é uma vida. Ninguém é igual a ninguém. Cada um faz o que quer com o seu corpo. Com ou sem pêlos, todos temos de encontrar uma forma de nos sentirmos bem connosco próprios e de respeitarmos as nossas decisões e as decisões das pessoas que nos rodeiam, porque nem todos pensamos da mesma maneira. De qualquer forma espero que este texto e que a minha opinião tenha sido útil para vocês e que, daqui para a frente, se fale destes temas mais abertamente e sem vergonha. Por agora é tudo, espero que tenham gostado, que fiquem bem e partilhem este texto para ajudar o blog a chegar a mais pessoas. 

Um beijo e até breve. 

- Carina Subtil 



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