Como prometido, aqui estou eu para vos falar um pouco sobre o início do meu último ano letivo enquanto aluna do secundário. Neste texto, para além de vos dar o tão esperado feedback sobre a primeira semana de aulas, vou também fazer uma pequena retrospetiva do meu percurso escolar e falar dos meus "planos" para depois. Por isso, se estiverem interessados, continuem a ler.
Lembram-se de eu ter dito que estava pronta para mais um ano letivo? Pois bem, acontece que não é verdade... Comecei este novo ano com um misto de sentimentos e emoções; se por um lado estava entusiasmada por voltar às aulas, por ter novas disciplinas, por voltar è minha rotina de estudo e voltar a ver os meus amigos, por outro lado sentia-me triste, nostálgica, ansiosa, com medo, com questões e sem vontade absolutamente nenhuma para voltar ao ambiente tóxico da escola... Porque o fim está a aproximar-se... E, para ser sincera, ainda não acredito que consegui chegar até aqui... Só passou uma semana e ainda me soa estranho dizer que sou do décimo segundo ano... Parece mentira porque ninguém nos diz o quão longos e exaustivos são os doze anos que passamos na escola ao longo da vida... Ninguém nos diz quão difícil é lidar com algumas situações quando, por vezes, nem sabemos quem somos....
Fazendo um pequeno throwback ao tempo em que tinha sete ou oito anos, posso dizer que fui muito feliz na primária e também no segundo ciclo, mas a partir daí fui crescendo e percebendo muita coisa, nomeadamente que sermos ingénuos é meio caminho andado para sermos magoados e usados pelas pessoas que menos esperamos, sobretudo quando somos pessoas educadas e com bom coração. A minha vida, as minhas atitudes e a minha visão das coisas mudou radicalmente quando cheguei ao oitavo ano. Senti mais o impacto de mudança de ciclo no oitavo do que no sétimo ano, sinceramente. No oitavo ano, a minha turma mudou quase toda e criei finalmente um grupo de amigos sólido e leal. Mas o ano em que fui mais feliz na escola e criei memórias fantásticas com as minhas pessoas foi, sem dúvida alguma, o nono ano. A partir do décimo ano, a minha turma mudou novamente, a pandemia começou, e fiquei longe da maior parte dos meus amigos e das minhas pessoas. Essa foi uma altura muito difícil em que me senti desnorteada e foi muito doloroso e complicado voltar a encontrar-me... Agora, no que respeita à pandemia, as coisas parecem estar a voltar aos poucos à normalidade e neste momento, sinto-me bem e tranquila, sinto que as férias me ajudaram a acalmar e a fazer uma melhor gestão de tudo aquilo que me deixava ansiosa... E espero, honestamente, conseguir passar todo este último ano do secundário em regime de aulas presenciais...
O dia dezassete de setembro foi o primeiro dia oficial de aulas e, sinceramente, correu bastante bem. A verdade é que eu estava bastante ansiosa e até a sofrer um pouco por antecedência mas sucede que o dia foi bastante bom e tranquilo e, quando cheguei a casa, já estava bastante entusiasmada, confiante e a pensar nas aulas e nas coisas que ia fazer na semana seguinte. Chamem-me louca, eu deixo. Este ano tenho apenas cinco disciplinas, o que quer dizer que o horário é muito reduzido; tenho muito tempo livre para estudar e para fazer outras coisas como, nomeadamente, tirar a carta de condução (parecendo que não, daqui a pouco mais de três meses, faço dezoito anos...). Tenho apenas três professores novos mas que, até agora, me causaram boas impressões. Não tenho nada a apontar, por enquanto, até agora está a correr tudo muito bem.
Penso que a única coisa que me deixou mais desconfortável ao longo desta semana foi o facto de alguns professores estarem com expectativas muito altas sobre o futuro académico dos alunos e começarem a falar sobre os exames e provas de ingresso e faculdades. Eu entendo toda a preocupação e todo o entusiasmo e orgulho dos professores, entendo que este é o ano das grandes decisões, que devemos pensar no nosso futuro (embora possa ser assustador pensar no futuro quando se tem dezassete ou dezoito anos), entendo perfeitamente tudo isso... Mas também gostava que as pessoas entendessem que isso causa muita pressão e ansiedade nos jovens que, como eu, não fazem ideia do que vão fazer da vida depois da escola acabar. Porque nem todos somos obrigados a ir para a universidade e além disso, sejamos sensatos, o dinheiro não cai do céu. E eu, honestamente, não fiz absolutamente planos nenhuns para depois. Acho que as pessoas têm muita mais facilidade em falar do que pôr em prática e focarem-se no que realmente importa. Mas isto foi apenas um desabafo, espero que não me levem a mal.
Espero que este texto não tenha ficado muito grande e que tenham gostado de ler este meu relato da primeira semana de aulas. Despeço-me dizendo que o próximo texto sai só em outubro mas posso já adiantar que vos vou surpreender e falar abertamente sobre um tema que a sociedade ainda considera como sendo tabu. Fiquem atentos. Por agora é tudo, espero que fiquem bem e partilhem este texto para ajudar o blog a chegar a mais pessoas.
Um beijo e até breve.
- Carina Subtil

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