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Desabafos de uma aluna do secundário #4

Para este quarto e penúltimo texto, escolhi falar sobre o tema: Os favoritos dos professores. 

Os meus pais sempre me deram uma educação baseada no respeito pelo outro, sempre me ensinaram que o importante não é o que os outros querem que nós sejamos mas sim aquilo que nós queremos ser. Ensinaram-me a defender os meus valores, a ser genuína e verdadeira. E foi sempre isso que eu tentei ser, e por isso é que eu nunca percebi como é que existem adolescentes tão gananciosos, com tanta vontade de serem elogiados pelas suas boas notas, elogiados pelas roupas que vestem, com um grupo de amigos enorme, com uma necessidade insaciável de rebaixar os outros só porque pensam ser superiores. Mas a verdade é que ninguém é superior a ninguém, todos somos diferentes uns dos outros mas estamos no mesmo patamar. A educação de uma pessoa diz muito sobre ela e ainda mais sobre quem ela vai ser no futuro; se uma pessoa é educada com valores gananciosos e que valorizam mais as aparências, claramente que ela se vai tornar numa pessoa mais arrogante e menos inclusiva no futuro. Essas pessoas tendem a ser mais competitivas, menos compreensivas e mais difíceis de lidar. Estão habituadas a ter muito e portanto rebaixam os que têm pouco. Penso que as escolas portuguesas estão cada vez mais cheias de crianças com esse tipo de educação, crianças que querem ser melhores que as outras, crianças que não estão habituadas a ouvir um não. E a sua personalidade vincada e forte é aquilo que lhes dá, erradamente, maior destaque e as faz ser mais "populares". É essa popularidade, muitas vezes tóxica, que atrai a atenção dos professores. Os "populares" esforçam-se por manter as aparências e cativar a atenção dos professores, ganhar a sua confiança. 

Os professores portugueses, hoje em dia, tendem a valorizar mais os alunos com notas superiores e rebaixar aqueles que têm notas mais baixas, em vez de os apoiar e incentivar a continuar a trabalhar. Os professores baseiam-se muitas mais vezes nas notas, em vez de se basearem naquilo que a pessoa é verdadeiramente. Os professores não se preocupam em intervir para resolver o mau ambiente que se verifica muitas vezes em sala de aula e que é causado, precisamente, por esses alunos mais populares que "supostamente" não causam problemas. Muitos problemas poderiam ser evitados se houvesse um bom ambiente entre alunos e professores, se o respeito e a aceitação predominassem. Se a popularidade e o favoritismo não fosse uma realidade, a escola seria um lugar menos tóxico e competitivo e mais harmonioso e de respeito mútuo. 

E pronto, acho que disse tudo sobre este tema por hoje. Espero que tenham gostado. Até ao próximo e último texto, um beijo e fiquem bem. 




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