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Até que ponto os animais têm direitos?

O problema filosófico abordado neste ensaio será o estatuto moral dos animais.  
O objetivo principal de abordar esta questão é perceber até que ponto é que podemos dizer que os animais têm direitos visto que, todos os dias, em todo o mundo, os animais são usados e mortos para os mais variados fins. A discussão deste assunto é importante visto que tem tomado proporções bastante sérias nos últimos anos e que existem cada vez mais pessoas que não consomem qualquer tipo de carne e que lutam todos os dias na defesa dos direitos dos animais. 
Ao longo deste ensaio serão abordados assuntos como a tolerância ao uso de animais para práticas culturais, as vendas ilegais e experiências laboratoriais com animais e o consumo de animais em todo o mundo. 

Comecemos então por falar sobre os espetáculos culturais que muitas vezes têm como protagonistas os animais. No caso mais específico das touradas, os animais em causa são os cavalos e os touros. As touradas são um evento que provoca dor, sofrimento e ansiedade aos animais. Embora sejam parte do património cultural do país, o seu único fim é entreter o público com o sofrimento dos animais e por isso a sua continuidade não é de todo correta. 
Por outro lado, existem pessoas que continuam a apoiar a continuidade das touradas, especialmente os ribatejanos. Para eles, as touradas são uma tradição com uma enorme importância social, económica e histórica e são importantes também na consolidação da identidade portuguesa e, em particular, ribatejana. Deste modo, e segundo a perspetiva dos ribatejanos, o fim das touradas seria amputar um dos grandes alicerces do país. As touradas fazem parte desde sempre da cultura ribatejana e é por isso que os ribatejanos estão revoltados e indignados com o seu possível fim. O fim das touradas pode também prejudicar economicamente aqueles que vivem do mercado, mas que, pensando bem, não são assim tantas pessoas, logo o prejuízo não será muito grande. 

Para além desses espetáculos culturais, os animais também são frequentemente usados em vendas ilegais e como cobaias de experiências laboratoriais. Essas duas práticas deixam também os animais com medo, com ansiedade, em sofrimento e colocam a sua vida em risco. Os humanos usam muitas vezes os animais em experiências para lhes fazerem testes e provar ou não a eficácia do produto a ser testado. 

As vendas ilegais continuam, infelizmente, a ser uma realidade. Ainda muitas pessoas vivem à custa dos rendimentos que conseguem a partir das vendas ilegais, que muitas vezes são de animais exóticos. Existem ainda também os chamados de “mercados húmidos” da China, onde os animais são comprados vivos e depois mortos no local para o cliente. Esse tipo de mercados, onde as condições são desumanas e macabras, devem ser rapidamente banidos. Não só porque assustam os animais, mas também porque enquanto esse tipo de mercados existir a probabilidade de surgirem novas doenças permanecerá. Tanto as epidemias que outrora afetaram o mundo quanto o novo corona vírus podem ser precisamente atribuídas a esses mercados. 

Infelizmente ainda existe muita maldade no mundo. Existem as pessoas que maltratam por puro prazer e outras que maltratam e fazem parte desse tipo de comércio porque não tem outra alternativa de sobrevivência económica. Porque infelizmente ainda existe quem viva à custa desses mercados. Independentemente do caso que seja, as pessoas devem ser punidas seriamente! Porque se elas sofressem tudo o que os pobres animais sofrem também não iriam gostar. 

Para além das atividades que referi acima, os animais também são frequentemente usados como alimento para os seres humanos. Desde os primórdios da humanidade que os homens caçavam animais e alimentavam-se deles de modo a conseguirem ter força e energia para sobreviver. Essa prática ainda se mantém nos dias de hoje, as pessoas continuam a consumir carne e algumas até a caçar. 
O consumo de carne traz benefícios para a saúde e é importante para a nossa dieta porque a carne é uma grande fonte de proteína e faz parte da roda dos alimentos, mas não se deve, porém, consumir mais do que a quantidade recomendada. Devemos preferir consumir carnes brancas do que carnes vermelhas. Mas por outro lado existem pessoas que defendem que a produção de animais para consumo contribui para o aumento do aquecimento global e por isso uma solução para as alterações climáticas será parar de comer animais. Existem também cada vez mais ativistas e veganos que defendem que a produção de animais para consumo provoca sérios problemas ambientais e também alguns problemas de saúde. 

Tanto os animais, como as flores, as plantas, as hortícolas e os vegetais são seres vivos que nascem, que respiram, que se reproduzem e que morrem e, ao estarmos a consumi-los, estamos a pôr fim às suas vidas. Desta forma, tanto é eticamente errado consumir animais como consumir plantas e proteínas vegetais. Uma dieta feita à base de plantas e vegetais não substitui completamente os benefícios que uma dieta à base de carne tem para a saúde.  

Enquanto consumidora de carne, apesar de ter completa noção das consequências que matar animais pode ter para o ambiente, não é minha intenção mudar a base da minha alimentação, porque até agora, e devido aos meus problemas de saúde, não me parece a melhor opção, mas respeito totalmente quem opte por fazê-lo. 

Concluindo, faz todo o sentido debater e falar sobre os direitos dos animais. Existe uma reivindicação que nos diz que os animais não devem ser considerados como propriedades ou recursos naturais, os animais devem sim ser respeitados como as pessoas e, como elas, têm o direito e devem ser bem tratados até ao fim das suas vidas e morrer com toda a dignidade possível. Existem também animais que são destinados ao abate para os mais variados fins e esses também devem ser respeitados e morrer sem sofrer ansiedade ou dor. 

Infelizmente o tema dos direitos dos animais ainda causa muita polémica e ainda é muito desvalorizado pelos seres humanos, mas deve existir uma luta para contradizer essa regra. Crimes como maus tratos aos animais, abandono ou abate sem justificação plausível devem ser reportados às entidades responsáveis e as pessoas em causa devem ser notificadas e punidas. 

Na minha opinião os animais têm de facto direitos e é obrigação do ser humano impedir que esses direitos sejam violados. A única coisa que os animais procuram da nossa parte é respeito e amor e é nossa obrigação permitir que eles sejam respeitados e amados até ao fim das suas vidas.  

Carina Subtil

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