Avançar para o conteúdo principal

"Gritos"

Entra,
fecha a porta
e não grites.

Faças o que fizeres,
digas o que disseres,
podes até te deitar ao meu lado
e observar a obscuridade
que existe dentro de mim,
mas por favor,
não grites.

Podes apenas te sentar
perto de mim
e segurar a minha mão
ou tocar no meu coração,
que bate nervosamente,
mas por favor
não grites.

Podes não compreender
o medo que se instalou
na minha mente
ou podes não querer ver 
o meu choro de desespero, 
mas por favor 
não grites. 

Se me amas, 
se te preocupas, 
não fujas assustado 
e fica apenas ao meu lado, 
mas por favor 
não grites. 

Não faças perguntas, 
não queiras respostas, 
não exijas saber 
o que eu prefiro esconder
apenas,
por favor, 
não grites. 

Toda a minha vida 
os gritos
substituíram os sorrisos 
de uma família 
que se esperava 
que fosse feliz como as outras. 

Por isso, 
não quero que grites comigo, 
nem quero que te vás embora 
e me faças sentir que 
para ti sou apenas um castigo
ou uma pedra no sapato. 

Quero sorrir contigo, 
quero fazer o que nunca fiz, 
quero que acordes ao meu lado,
feliz, 
e me apertes nos teus braços 
e que os gritos 
não sejam mais fortes 
nem transformem a nossa vida
e o nosso amor. 

 

Comentários

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Acabei o Curso, e Agora?

 No passado mês de julho, terminei a minha licenciatura em Comunicação e Media pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria. Desde então, enviei muitos currículos, seja para trabalhos na minha área ou não. Embora eu acredite que termos um diploma e um curso superior nos abre mais portas e oferece mais oportunidades a nível de carreira, também sei ser realista e reconhecer que nada nos garante que vamos ter emprego na nossa área de formação imediatamente depois de terminarmos o curso. Sei que o meu ponto de vista não é consensual, mas a verdade é que o dinheiro não cai do céu e é sempre bom ter um plano B quando o plano A não corre como esperamos. Porque, de qualquer forma, tenho de trabalhar. Também decidi não fazer mestrado exatamente por isso; porque quero ganhar experiência profissional e independência financeira. Não tenho medo de trabalhar nem vergonha de aprender coisas novas. Também não serei a primeira pessoa a trabalhar em algo que não é pro...

I am (not) feeling 22

Hoje, dia seis de janeiro de dois mil e vinte seis, faço vinte e dois anos.  E a primeira coisa que me passa pela cabeça quando penso na idade que faço é: que horror! O tempo está a passar absurdamente rápido e parece-me uma idade demasiado "séria". Porque, tal como diz o título deste texto, não me sinto com 22 anos*. Mas talvez não me sentir com 22 anos não seja rejeitar a idade, mas aprender a lidar com ela à minha maneira. De repente já sou adulta, já trabalho, já ganho o meu próprio dinheiro, já desconto para a segurança social e as crianças e adolescentes já me tratam por senhora! Se, aos catorze anos, me tivessem dito que a minha vida ia dar tantas voltas, eu não acreditava. Sinto que sou sempre ligeiramente repetitiva nos textos que publico sobre o meu aniversário, ou até sobre o fim de ano, mas não é propositado. De facto, tenho sentido o tempo a passar demasiado depressa. O tempo passa por entre os meus dedos e às vezes nem sei o que fazer com ele; por vezes até pare...

Stand by

A vida é feita de fases e de ciclos que se encerram para dar lugar a outros.      Há uns meses partilhei que estava a trabalhar numa livraria, hoje partilho que essa experiência chegou ao fim. Durante nove meses fui feliz. Fui genuinamente feliz, e só posso agradecer à minha (ex) patroa por me ter dado a oportunidade de iniciar a minha vida profissional naquele lugar. Um lugar que será sempre muito especial. No entanto, recebi uma proposta para trabalhar em outra empresa e realmente dar uso às competências que adquiri durante a licenciatura, e nem pensei duas vezes. Porque existem oportunidades que não surgem duas vezes na vida e existem decisões que têm de ser tomadas de imediato para que possamos crescer enquanto pessoas e enquanto profissionais.       A vida acontece sem darmos conta e há coisas que fogem claramente dos nossos planos e do nosso controlo. Se estava nos meus planos mudar de emprego este ano? Sim, mas não para já. Até porque nós sabemo...