Esta reportagem foi realizada por mim e pela minha colega Dayane Silva, durante o 2°semestre do 2°ano da licenciatura em Comunicação e Media, no âmbito da unidade curricular de Meios e Produção Jornalística! Espero que gostem!
"Desde há muito tempo, circula entre os portugueses o mito de que a cidade de Leiria não existe. Mas será que este mito realmente faz sentido? Maria e Celeste, jovens estudantes de mestrado em Educação Básica na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, confessam ter ouvido várias vezes a expressão mas dizem que “não faz sentido porque Leiria está no mapa”. Tal como elas, muitas pessoas concordam que este mito não tem fundamento, porém há também quem tenha argumentos para provar que Leiria pode realmente não existir. Existem três possíveis razões que justificam o surgimento da expressão. Uns afirmam que tudo isto começou porque em todos os países existe um lugar que não existe e, no caso de Portugal, essa cidade é Leiria. Outros dizem que a piada começou a espalhar-se entre os jovens devido ao videojogo Euro Truck Simulator 2 onde, em 2021, surgiu um novo mapa de Portugal no qual o distrito de Leiria não estava assinalado. Mas ainda há os que acreditam que este mito se deve ao facto de Leiria não ser uma cidade tão grande e proeminente em relação a outras cidades do país. Independentemente da origem, podemos perceber que esta designação ganhou vida própria com o passar do tempo.
Como forma de promover a cidade e atrair visitantes, a Câmara Municipal de Leiria utilizou a expressão em várias campanhas. A vereadora do turismo, Catarina Louro, afirma que “a câmara municipal não podia fazer outra coisa que não aproveitar e virar a seu favor este mito”, acrescentando que “esta campanha pontual só chamou mais a atenção para aquilo que já existe”. No entanto, o historiador local, Vitorino Guerra, tem dúvidas sobre a credibilidade das campanhas e questiona “porque é que a Câmara Municipal está preocupada em provar que a cidade existe?”
Esta questão está relacionada com a Teoria Materialista de Berkeley, que defende a ideia de que “não se procura demonstrar uma coisa que já existe”. A teoria de Berkeley diz-nos que a ideia é anterior à matéria, portanto, para o filósofo, tudo o que existe é percebido pela mente humana e a matéria não existe de forma independente. Ao invocar o pensamento de Berkeley, Vitorino Guerra reforça: “se a câmara municipal está a procurar provar uma coisa que existe é porque essa coisa não existe realmente”, concluindo que “Leiria tem dificuldades em existir, por isso estão a ser feitos investimentos no sentido de tornar a cidade mais conhecida e provar que existe mesmo”.
Todas as cidades têm um elemento que as torna singulares em relação às restantes, no entanto, Vitorino Guerra admite ter dificuldades em encontrar esse elemento diferenciador em Leiria. “Devemos questionar-nos sobre o que é que diferencia Leiria das restantes cidades do país. Será o castelo? Mas Leiria não é a única cidade a ter um castelo”, refere. Catarina Louro diz que a “capacidade de acolhimento e o cenário idílico da cidade, do qual o castelo é parte fundamental, é aquilo que melhor distingue Leiria” e acrescenta também que o distrito é palco de “eventos únicos, que não há noutro sítio do país”.
Vitorino Guerra considera que as medidas que a Câmara Municipal está a tomar para preservar e promover a cidade são insuficientes: “quais são as políticas de recuperação que estão a ser implementadas para recuperar as zonas degradadas?” Em resposta, Catarina Louro admite que “tem existido um grande investimento em termos de requalificação do edificado”, referindo que “quem conhece a cidade não pode dizer que o centro histórico não tem tido uma reabilitação brutal”. Esse investimento tem sido feito, nomeadamente, no castelo e a vereadora sublinha que “para além de tornar acessível, queremos que o castelo dê mais respostas ao nível cultural e também a outros níveis, queremos utilizar o património cultural em prol da comunidade” acreditando, que “não faz sentido manter o património a destruir-se devido aos fenómenos naturais”. Apesar disso, o historiador argumenta que “todas as reconstruções apenas colocam em causa a existência do próprio Castelo, tendo em conta que a estrutura original ficou comprometida”.
Quando questionada sobre aquilo que Leiria tem para oferecer para além do castelo e dos eventos, Catarina Louro menciona imediatamente “os produtos gastronómicos”, como as brisas do lis, a morcela de arroz e o chicharro. Nesse sentido, as jovens estudantes Maria e Celeste concordam e dizem que “a comida é boa” e, por isso, também merece ser mencionada como uma das ofertas do conselho.
Catarina Louro garante que, de um modo geral, o feedback que a câmara municipal tem recebido por parte das pessoas é muito positivo, é também um sinal de que os leirienses estão satisfeitos com o trabalho que tem sido desenvolvido na cidade e certamente também consideram que Leiria existe."
Por agora é tudo. Espero que tenham gostado de ler este meu trabalho académico! Fiquem bem, sigam a página do blog no instagram, comentem e partilhem este texto para ajudar a página a chegar a mais pessoas.
Um beijo e até breve!
- Carina Subtil

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