Não é por acaso que o verão é a minha estação do ano preferida. E este foi um verão que vou recordar para sempre como sendo um dos melhores, mas também mais atribulados, da minha vida. Talvez isso tenha a ver com a fase de vida em que me encontro. De facto, tive umas férias inesquecíveis, mas não assim tão tranquilas, e senti necessidade de escrever sobre elas. Entre idas à praia, tempo passado em família e com amigos e uns passeios por Lisboa... tive tempo mais do que suficiente para pensar e me conectar comigo própria e aproveitar intensamente cada minuto. Mas, por outro lado, também aconteceram algumas coisas menos positivas que me abalaram e me deixaram bastante revoltada, triste e insegura. Porque, de facto, nem tudo na vida é um mar de rosas. A verdade é que a vida é assim mesmo, feita de altos e baixos, momentos bons e momentos maus. Temos de saber lidar com estas reviravoltas da melhor forma, seja de uma forma mais ou menos tranquila, mas tirando sempre algum tipo de ensinamento. Este texto marca, não só o fim das minhas férias e o regresso à "realidade" mas, também o inicio de mais um ciclo que será o meu 2°ano no ensino superior. Por isso, se estiverem interessados, continuem a ler.
As minhas aulas acabaram oficialmente no dia 9 de junho. Embora o calendário marcasse o dia 12 como último dia, eu já não fui para Leiria. Como fui aprovada a todas as unidades curriculares no segundo semestre e não foi necessário fazer nenhum exame, estive de férias desde junho. No entanto, as minhas férias não começaram da melhor forma. Para além de ter apanhado covid pela primeira vez e de ter tido imensas dores na garganta e no corpo, também recebi uma trágica e triste notícia que envolvia pessoas muito próximas e queridas a mim e à minha família. Portanto, não foram dias nada fáceis. Dei por mim a pensar várias vezes no sentido da vida e na sua efemeridade, em como as coisas podem mudar de um dia para o outro mesmo que pareça estar tudo bem.
No mês de julho as coisas acalmaram e foi, possivelmente, o mês mais feliz de todo o meu ano. Para além de ter passado umas semanas a trabalhar, aproveitei para ir a Lisboa passar uns dias com a minha família. Aproveitei muito para passear por Lisboa e para passar tempo de qualidade com a minha família, com os meus amigos e, sobretudo, comigo própria. Ir para Lisboa faz-me sempre bem porque consigo desligar totalmente da "vida real". Durante o tempo que estive em Lisboa, passeei bastante e estive muito tempo sozinha, o que me permitiu pensar com mais clareza e conectar-me mais comigo própria. Estarmos sozinhos não é necessariamente uma coisa má. Estando em Lisboa, pensei e caminhei muito. Consegui reencontrar-me, reencontrar a minha paz, recarregar energias. Sozinha, passeei pelo Parque das Nações, pelo Chiado e por outros sítios lindos. Pode parecer estranho dizer isto, mas muitas vezes nem sempre nos sentimos acompanhados quando estamos no meio da multidão. Nem sempre sentimos que pertencemos. Nem sempre nos sentimos confortáveis. Nem sempre nos sentimos bem ou seguros. Às vezes sentimo-nos mais acompanhados quando estamos sozinhos e está tudo bem com isso. Eu sou uma pessoa que gosta de estar com pessoas, mas também não fazem ideia o quanto eu adoro estar sozinha e disfrutar da minha própria companhia. E eu fui genuinamente feliz em Lisboa, senti-me genuinamente bem e em paz. Durante o mês de julho fui também várias vezes à praia e aproveitei muito para dar uns belos mergulhos e apanhar sol. Foi também durante o mês de julho que a minha família aumentou e demos as boas vindas ao Mickey, mais um amigo de quatro patas, que vai fazer companhia ao meu Nico.
Em agosto, as coisas voltaram a complicar. Toda a paz que eu senti no mês de julho, desvaneceu-se. Na segunda semana de agosto fiquei internada no hospital durante seis dias devido a uma bactéria que se instalou na minha pele. Foram dias muito difíceis. Fui uma primeira vez às urgências e fui vista por um médico que me prescreveu medicação e um líquido para passar na pele. Só que, em vez de me ajudar a melhorar, esse tratamento deixou-me muito pior. Cheguei mesmo ao ponto de não reconhecer o meu próprio corpo quando olhava ao espelho e passei muito tempo a chorar de desespero, porque eu não me sentia eu própria e só queria ficar bem. Fui então uma segunda vez ao hospital, por ordem da médica de família que redigiu uma carta para eu entregar nas urgências. Fui então vista por outros médicos que, de imediato, me disseram que eu teria de ficar internada para levar medicação intravenosa e fazer exames de modo a conseguirem dar um diagnóstico. Estive seis dias internada e, mesmo quando tive alta, ainda estive medicada durante uns dias. Só consegui ficar "bem" ao fim de cerca de duas semanas. Mas tive de continuar a ter de ter certos cuidados e passei o resto do verão sem poder apanhar sol, calor, ir à praia ou à piscina. Hoje posso dizer que já estou bem e que já me sinto eu novamente, ainda tenho algumas cicatrizes no corpo, mas mal se notam. Se, por um lado, a nível físico, as coisas melhoraram com uma certa "rapidez" devido ao tratamento que levei diretamente na veia e as cuidados que tive, por outro lado, a nível psicológico, ainda demorou algum tempo até eu voltar a sentir-me confortável e confiante a olhar para o espelho. Sentia-me fraca, desmotivada, perdi o apetite, não me sentia confortável quando as pessoas me tocavam, não me sentia eu própria. Mas, felizmente, tudo passou. Tudo passa.
E num abrir e fechar de olhos, chegou o mês de setembro. O mês do regresso às aulas, à rotina, ao trabalho. As minhas aulas começaram no dia 18 de setembro. A primeira semana foi muito tranquila porque resumiu-se apenas em apresentações e primeiros contactos com os professores das novas unidades curriculares. Foi também muito bom rever os meus amigos e colegas de turma. Já não sou caloira, já sou aluna de segundo ano então já conheço os cantos à faculdade e já sei mais ou menos o que me espera. Mas houve uma coisa que mudou... Durante toda a minha vida partilhei quarto, mas desta vez tenho um quarto só para mim, com mais privacidade e mais paz e isso traz-me muito conforto. A velocidade com que o tempo passa é absurda. Há um ano, mudei-me para Leiria, totalmente às cegas. Não sabia se ia gostar do curso, se me ia dar bem com as pessoas, não sabia como era viver sozinha... Chorei muito e doeu muito no início mas, felizmente, correu tudo muito bem. Hoje, sei que estou exatamente onde devia estar; estou no curso certo, conheci as pessoas certas e estou pronta para dar o meu melhor em tudo neste ano letivo, tal como sempre fiz.

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