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"Terapia"

 Acordo inquieta,
como um predador 
sempre atento à presa.
Desperta por uma dor 
excrucinante,
diletante,
que ameaça destruir 
parte de mim,
o coração que ainda 
espera por ti.

Sinto os raios de sol 
a invadirem o meu quarto.
A luz que deveria alegrar
a minha vida 
mas que só constrói 
uma mentira 
demasiado dura para encarar. 

O pequeno almoço 
que já não me sacia,
a despensa e a alma vazias.
Era tudo tão mais fácil 
se eu não me sentisse tão frágil,
mas não posso,
simplesmente assim,
alimentar o monstro 
que vive em mim.

Dizem-me para ir à terapia.
Mas o que direi eu
a alguém que nunca me conheceu?
A presença austera 
e o bloco de notas 
que regenera, 
aparentemente,
e transmite calma a toda a gente.

O silêncio da noite, 
ensurdecedor.
A cama quente 
e a presença indiferente.
As lembranças do que fui
e a estranheza do que sou.
Como o rio que corre sem parar 
eu luto para não me afogar.

Uma vida a preto e branco.
Sem cor.
Sem o teu sabor 
na minha boca. 
Deixa-me num eterno dilema
por seres uma estrela de cinema...
Com a mesma ausência de loucura 
para manter a sanidade...
Ou terei eu falta de maturidade?

E os sonhos 
que eu nem sabia que tinha,
fazem-me lembrar
que tenho de ir à terapia.

(Escrito no dia 17/10/2022)
- Carina Subtil 



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