Sei que já não publico um texto aqui no blog há algum tempo, mas isso deve-se mesmo à falta de tempo que tenho tido, desculpem-me a redundância. Para vos compensar, trago-vos hoje uma review, daquele que, muito provavelmente, vai ser o último livro que leio este ano. E esta review é especial. Vou falar-vos sobre um livro autobiográfico, que saiu este ano, da autoria de Helena Magalhães, a fundadora do Book Gang. Como podem ver na imagem, o livro chama-se "Ferozes" e é, passo a citar, "uma reflexão sobre o que é ser mulher nos dias de hoje e um grito de autodescoberta e emancipação". Por isso, se estiverem interessados em saber mais sobre este livro que, devo dizer, foi um achado maravilhoso, continuem a ler.
Para começar, devo dizer que durante muito tempo os nomes "Helena Magalhães" e "Book Gang" não me diziam absolutamente nada, tal como provavelmente não vos diz nada a vocês. Só comecei a ouvir falar da autora e do clube do livro maravilhoso que ela fundou, há cerca de dois ou três anos, quando criei a minha página de instagram pessoal e comecei a seguir a conta da Helena, depois de ela me aparecer nos recomendados. A sua conta despertou-me especialmente a atenção porque ela já publicou três livros (espero não estar enganada) e todos abordam a temática do feminismo e empoderamento feminino e isso é realmente algo que tende a ser cada vez mais discutido nos dias de hoje (e com toda a razão!). O "Ferozes" é o último livro dela e saiu este ano. Comprei-o em pré-venda, por isso tive o privilégio de o receber autografado. Devo dizer que, por ter um cariz autobiográfico, tinha medo de não gostar, mas fui surpreendida. Antes deste, já tinha lido outro livro dela chamado de "Raparigas como Nós" e fiquei completamente apaixonada pela fluidez, sinceridade e verdade da sua escrita; é completamente viciante e torna a leitura muito fácil.
Embora o "Ferozes" seja um livro autobiográfico foi, de certa forma, escrito para todas as mulheres que já sofreram algum tipo de abuso ou de injustiça da parte dos homens, só pelo simples facto de serem mulheres. Aborda temas como o assédio no trabalho e desvalorização do valor profissional por parte dos patrões, a ansiedade, a importância de termos noção do nosso valor, as histórias de amor fracassadas, o processo de autodescoberta, a luta pelos nossos sonhos e ambições, o feminismo e o empoderamento e emancipação da mulher. Porque sempre nos foi incutido a sermos sempre boas mães, boas profissionais, boas donas de casa, boas esposas, boas filhas... Mas nem sempre é isso que queremos, nós temos voz, somos ferozes porque sabemos que podemos ser o que quisermos! Felizmente já não vivemos nos séculos passados, onde o papel da mulher era simplesmente ser dona de casa e dar descendentes ao marido; felizmente vivemos num século que abomina a violência doméstica e a violação e que dá liberdade às mulheres para serem e fazerem o que quiserem; felizmente vivemos num século que (embora não tanto como devia) julga os homens que exercem qualquer tipo de violência contra as mulheres. Sermos ferozes é gritarmos, é lutarmos pela nossa voz, pelos nossos direitos, pela nossa independência, pela nossa felicidade... É sermos donas de nós mesmas! Antes de sair desta temática, quero partilhar algo com vocês: neste momento, estou a tirar a carta e a pessoa que mais me incentiva é a minha mãe, que não sabe conduzir e que me diz constantemente uma coisa que nunca mais me vou esquecer. - "Tira a carta e, quando puderes, compra o teu carrinho para não precisares que homem nenhum te leve onde queres ir." - E está errada? Não está.
Demorei mais tempo a ler do que esperava, tendo em conta que é um livro com cerca de duzentas e setenta páginas, mas gostei bastante e decidi que não podia passar sem lhe reservar um lugar especial aqui no blog. Sem dúvida que é uma leitura que aconselho a todos, homens e mulheres: aos homens, vai ajudá-los a compreender a responsabilidade que é ser mulher nos dias de hoje e tudo aquilo que isso acarreta; às mulheres, vai ajudá-las a compreender que não estão sozinhas e que existe sempre mais alguém a passar pelo mesmo. Como escreveu a Helena na dedicatória que tenho no livro: "Somos Ferozes!"
Por agora é tudo, espero que tenham gostado, que fiquem bem e partilhem este texto para ajudar o blog a chegar a mais pessoas.
Um beijo e até breve.
- Carina Subtil
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