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Desmistificar A Menstruação

Se fosse noutra altura, eu provavelmente optaria por não escrever este texto. Mas, depois de muito pensar e depois de pedir a opinião de algumas pessoas, decidi e senti que devia avançar. Sei que muita gente vai olhar para o título, achar nojento e seguir em frente (sobretudo os indivíduos do sexo masculino), mas também sei que é necessário desmistificar este assunto e falar sobre ele de uma forma descomplicada e natural. Porque é isso que a menstruação é: uma coisa normal, natural e que acontece com a maior parte das mulheres do mundo inteiro. Por isso, se estiverem interessados em ler um texto que tem como objetivo quebrar o tabu que ainda existe à volta da menstruação, continuem desse lado. 

 Eu perdi a vergonha de falar sobre este tipo de assuntos a partir do momento em que as pessoas do meu núcleo pessoal me incentivaram e fizeram perceber o quão importante é dar a minha opinião, e foi a partir daí que percebi que há realmente coisas que precisam de ser discutidas e partilhadas, nomeadamente no que respeita à menstruação. Como eu referi na introdução, ter o período é uma coisa normal, natural e que acontece com a maior parte das mulheres do mundo inteiro. Cada mulher e cada corpo reage de uma forma diferente; para algumas mulheres pode ser uma coisa desagradável e provocar desconforto e dores, mas para outras mulheres pode ser uma coisa mais tolerável e menos dolorosa. Durante o período menstrual também é perfeitamente normal as mulheres estarem mais vulneráveis, emocionais, rabugentas, com mais vontade de comer doces ou até sem vontade de socializar; por isso, rapazes e homens do mundo (pessoas sem útero, no geral), entendam, não julguem e aprendam a lidar com as mudanças hormonais das vossas amigas/namoradas/esposas e parem de ficar constrangidos e pensar que é uma coisa nojenta. Não é nojento, é apenas a natureza a fazer o trabalho dela e a dizer que não há nenhum bebé a caminho.  

Nunca ninguém sabe quando é que poderá surgir a sua primeira menstruação. Tanto pode surgir aos dez, onze, doze ou treze anos... Mas nessa idade nós não sabemos o que fazer e morremos de vergonha de alguém ver alguma mancha de sangue nos nossos lençóis, nas nossas calças ou até de pedir pensos ou tampões a alguém quando não temos os suficientes. Hoje em dia, nas superfícies comerciais, existem muitos tipos de absorventes, tampões e coletores menstruais e cada mulher é livre de usar aquele com o qual se sente mais confortável. Na minha opinião, deviam existir programas nas escolas para falarem sobre isso, esclarecer dúvidas e disponibilizar pensos higiénicos ou tampões nas casas de banho femininas para o caso de existir alguma emergência. Se existem palestras e programas nas escolas que falam sobre sexualidade e oferecem preservativos, porque não criarem também palestras que esclareçam duvidas sobre saúde íntima feminina? E quando passarem por alguém na rua e notarem alguma mancha de sangue nas calças, calções ou saia, não tenham vergonha de chamar a pessoa à atenção, com certeza que a pessoa em causa vai ficar muito mais aliviada quando o fizerem e não se vai sentir tão envergonhada. É quase como chamar uma pessoa educadamente à atenção por ela entrar num supermercado sem máscara. 

Antes de terminar, vou falar-vos do meu caso pessoal. Tive a minha primeira menstruação a poucos meses de fazer treze anos e, ao início foi um pouco estranho e não tinha muitas dores. Tolerava-se. Hoje em dia sofro um pouco no primeiros dias, tenho dores horríveis e só vivo à base de benurons e gelo na zona abdominal. Os meus amigos percebem logo quando é que estou "naquela altura do mês" porque fico muito mais sensível, rabugenta, impaciente e com muita vontade de comer doces. Com o tempo, fui perdendo a vergonha e fui começando a desabafar e a falar mais com as minhas amigas sobre as minhas dúvidas e os meus complexos com o meu corpo e digo-vos, foi a melhor coisa que eu fiz! Cada vez que me sinto desconfortável ou tenho a sensação de estar suja, pergunto-lhes se se nota; ou então se não tiver nenhum penso comigo e precisar, peço, e não há que ter vergonha e passar pensos e tampões como quem está a fazer contrabando. É muito bom ter pessoas de confiança que passam pelo mesmo que nós e por isso nos ouvem, nos entendem e nos aconselham. A raparigas não deviam ter vergonha de falar umas com as outras sobre o período ou sobre questões relacionadas com o desenvolvimento do seu corpo, porque embora tenhamos todas formas e características diferentes, passamos todas pelas mesmas coisas em qualquer altura da vida. 

E pronto, acho que vou ficar por aqui. Se chegaram até ao fim deste texto, fico-vos bastante agradecida e espero não vos ter aborrecido mas sim elucidado sobre alguns aspetos do universo feminino. Mas atenção, foi tudo escrito com base na minha opinião, na minha experiência pessoal e nos meus conhecimentos. Há muito tempo que sentia necessidade de escrever um texto assim, sobre assuntos reais que deviam ser banalizados e não classificados como tabus e mantidos na escuridão. Por agora é tudo, espero que fiquem bem e partilhem este texto para ajudar o blog a chegar a mais pessoas. 

Um beijo e até breve. 

- Carina Subtil 



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