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Mensagens

O luto e as coisas que nunca superámos

Quantas vezes as fotografias se tornaram memórias? Quantas vezes as conversas se tornaram histórias? Quantas vezes as gargalhadas ficaram guardadas como um eco no silêncio? Quantas vezes a fragilidade se tornou na maior armadilha do tempo? A primeira vez que conheci a dor de perder alguém foi em 2014, na ocasião da morte da minha avó materna. Eu tinha dez anos. Lembro-me do dia em que recebi a notícia e do dia do funeral como se fosse hoje. Passaram-se nove anos e recordar esses dias ainda mexe comigo. Com dez anos fiquei a saber a dura verdade de que ninguém vive para sempre, nem mesmo as pessoas de quem mais gostamos. Depois dessa perda, passei por outras, mas nada com uma dimensão semelhante; apenas vizinhos ou pessoas conhecidas e queridas pela minha família. Até que chegou o dia 24 de fevereiro de 2023. Nesse dia, recebi a notícia do falecimento da minha tia, a irmã da minha mãe, a minha única tia. Nesse dia, voltei a sentir uma dor visceral, inexplicável, senti uma impotência abs...
Mensagens recentes

I am (not) feeling 22

Hoje, dia seis de janeiro de dois mil e vinte seis, faço vinte e dois anos.  E a primeira coisa que me passa pela cabeça quando penso na idade que faço é: que horror! O tempo está a passar absurdamente rápido e parece-me uma idade demasiado "séria". Porque, tal como diz o título deste texto, não me sinto com 22 anos*. Mas talvez não me sentir com 22 anos não seja rejeitar a idade, mas aprender a lidar com ela à minha maneira. De repente já sou adulta, já trabalho, já ganho o meu próprio dinheiro, já desconto para a segurança social e as crianças e adolescentes já me tratam por senhora! Se, aos catorze anos, me tivessem dito que a minha vida ia dar tantas voltas, eu não acreditava. Sinto que sou sempre ligeiramente repetitiva nos textos que publico sobre o meu aniversário, ou até sobre o fim de ano, mas não é propositado. De facto, tenho sentido o tempo a passar demasiado depressa. O tempo passa por entre os meus dedos e às vezes nem sei o que fazer com ele; por vezes até pare...

Adeus Ano Velho - Olá Ano Novo

Hoje é o último dia de 2025 e eu não tenho palavras para descrever a montanha-russa que foi este ano. Foi tudo menos um ano tranquilo. Como sabem, sempre gostei mais da passagem de ano do que do Natal, mas não estou muito entusiasmada desta vez.   2025 foi um ano marcado pelo final da minha licenciatura - que é um algo que me deixa bastante orgulhosa de ter conseguido - mas também por vários problemas a nível pessoal, nomeadamente duas perdas de dois familiares. No entanto, no meio da tempestade que assolou a minha família várias vezes, conseguimos encontrar alguma coisa boa, conseguimos ganhar força e coragem no amor e na união. Mas é claro que fico triste. O que me deixa mais triste é saber que estou a perder algumas pessoas que eram fundamentais, e que por motivos de força maior estão a desaparecer. Mais uma vez, gostava de deixar uma palavra de solidariedade e de força para todos aqueles que perderam algum familiar ou alguma pessoa importante este ano. De qualquer forma, g...

Sete Anos

 Hoje, dia dezanove de dezembro, este blogue completa sete anos de existência.  Ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos, este ano não me vou alongar muito neste texto comemorativo.  Este ano quero apenas agradecer.  OBRIGADA a todos aqueles que me acompanham e me apoiam desde o primeiro dia. Desde quando eu era um menina de catorze anos que apenas queria partilhar os seus textos com o mundo e ser compreendida por alguém.  OBRIGADA a todos os que lêem os meus textos e se identificam de alguma forma com as minhas palavras, com os meus sentimentos e com as minhas emoções.  OBRIGADA aos meus amigos e à minha família, por serem o meu pilar e por estarem sempre presentes; por apoiarem os meus sonhos e aplaudirem as minhas conquistas.  OBRIGADA por toda a vossa paciência e compreensão. Ultimamente não tenho publicado muitos textos, apenas publico quando faz sentido. A vida está a acontecer e, confesso, não tenho tido muito tempo nem inspiração par...

Acabei o Curso, e Agora?

 No passado mês de julho, terminei a minha licenciatura em Comunicação e Media pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria. Desde então, enviei muitos currículos, seja para trabalhos na minha área ou não. Embora eu acredite que termos um diploma e um curso superior nos abre mais portas e oferece mais oportunidades a nível de carreira, também sei ser realista e reconhecer que nada nos garante que vamos ter emprego na nossa área de formação imediatamente depois de terminarmos o curso. Sei que o meu ponto de vista não é consensual, mas a verdade é que o dinheiro não cai do céu e é sempre bom ter um plano B quando o plano A não corre como esperamos. Porque, de qualquer forma, tenho de trabalhar. Também decidi não fazer mestrado exatamente por isso; porque quero ganhar experiência profissional e independência financeira. Não tenho medo de trabalhar nem vergonha de aprender coisas novas. Também não serei a primeira pessoa a trabalhar em algo que não é pro...

Laços de Sangue

Com o passar dos anos e à medida que fui crescendo, fui percebendo que a família é a coisa mais preciosa e importante que temos na vida. Partilhamos o mesmo sangue e a mesma árvore genealógica e agarramo-nos a essas pessoas até ao fim dos nossos dias. Há amigos que vão e que voltam, e há amigos que se tornam parte da nossa família com o passar do tempo. No entanto, perder um membro da família, sobretudo se for uma pessoa mais próxima de nós, é sempre doloroso.  Em 2023, escrevi o texto "O luto e as coisas que nunca superámos" , que foi lido por mais de cem pessoas. Na altura tinha perdido a minha tia há relativamente pouco tempo e estava a ser complicado lidar com o luto e com a perda. Dois anos depois, senti novamente necessidade de escrever sobre este tema porque a minha mãe perdeu outro irmão e eu perdi mais um tio há cerca de quatro meses.  Os primeiros seis meses deste ano foram particularmente complicados porque estava muita coisa a acontecer ao mesmo tempo na minha vid...