Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de agosto, 2025

A Inquietante Vida dos Adultos

Não consigo dormir com tantas portas abertas na minha cabeça. Fazem muito barulho. Um zunido ensurdecedor. Um sonho que sonhamos de olhos abertos e se confunde com a realidade. Uma aflição que dói na alma. Um filme de memórias, histórias e enredos impossíveis que se fundem num só. Uma roda dentada que luta a todo o custo para parar mas continua a perseguir a luz, o combustível de todos os pensamentos. As vozes indecifráveis que nos dizem o que temos de fazer no dia a seguir, a quem temos de ligar ou mandar mensagem. O corpo que paga e que implora por sossego e por um momento de silêncio. E as noites. As noites de calor que nos mantêm despertos com desconforto e trazem à tona todos os pesadelos. O arrependimento. O arrependimento da manhã seguinte, pelas coisas que deixámos acumular, pelos sonhos que não deixámos voar. A urgência que temos por viver um dia de cada vez e por nos resignarmos à segurança da rotina.  Tudo isso faz-nos repensar aquilo que é mais importante. Faz-nos senti...

Saudades do Agora

 Tenho saudades dos momentos quando eles ainda estão a acontecer. Não sei se é normal ou se é uma coisa minha e característica da idade, mas a verdade é que sou invadida por uma nostalgia gigante quando estou a viver uma coisa pela qual ansiava há muito tempo. Por exemplo, quando estou na praia gosto de estar no meio do mar, com os pés afundados na areia, a olhar e a absorver toda aquela imensidão de azul. Olho para todos os lados e respiro fundo várias vezes para me embriagar com o cheiro a maresia e guardar para sempre na minha mente aquele cenário. Quando estou num evento de família, a partilhar segredos e gargalhadas à mesa, gosto de me manter calada e quieta, apenas a observar tudo o que está a acontecer. Quero guardar na minha mente todos os momentos da melhor forma possível, porque sei que há coisas que nunca mais se vão voltar a repetir, só as vivemos uma vez. O tempo passa e foge das nossas mãos a uma velocidade absurda. Já não somos crianças, mas sim adultos com responsab...