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Desabafos Pouco (ou nada) Subtis #1

Novo ano, nova saga. Decidi criar esta saga de três textos de forma a homenagear sarcasticamente o meu apelido, e também o seu consequente adjetivo, que, de todo, não me define (para quem não sabe, o meu último nome é subtil). Ao longo destes três textos pretendo criticar e também fazer uma pequena reflexão sobre alguns temas que estão presentes na nossa vida e nosso dia a dia. Para começar, decidi escrever sobre algo que me afeta pessoalmente e que tenho vontade de escrever há já algum tempo.... As desvantagens de se ter um bom coração. Sim, hoje vou falar única e exclusivamente das desvantagens, porque as há e, nos dias de hoje, há cada vez mais pessoas interesseiras que abusam da nossa bondade e que nos fazem perceber que ter um bom coração, nos dias de hoje, não tem muitas vantagens. Por isso, espero que gostem e, se estiverem interessados, continuem a ler.

Em primeiro lugar, é necessário deixar bem clara a minha definição de "ter um bom coração": no meu ponto de vista, uma pessoa que tem um bom coração é uma pessoa verdadeira, educada, com boas intenções, sincera, honesta, humilde, leal, de confiança e que ajuda o próximo sem esperar nada em troca. Este tipo de pessoas também tende a ser ingénua (falo por experiência própria) e, quanto a isso, eu acho que um bocadinho de ingenuidade nunca fez mal a ninguém. Sei que a definição que adotei é relativa porque nem todas as pessoas com as características que referi acima têm, de facto, um bom coração mas eu espero que, ao longo deste texto, me perdoem e consigam compreender o meu ponto de vista. Ter um bom coração deixa-nos mais vulneráveis e, consequentemente, mais propícios a traições e abusos de confiança. Queremos tanto ajudar o outro e contribuir para o seu bem estar, ou até tentar participar na resolução de certas e determinadas situações, que nem sequer percebemos que estamos a ser gozados e fizemos unicamente papel de trouxa (inserir emoji do palhaço). 

Quando era mais nova não compreendia bem o facto de existirem pessoas mal intencionadas, interesseiras, com valores diferentes dos meus. Fui muito feliz enquanto fui criança porque estava rodeada de pessoas que me conheciam deste os primeiros dias de vida, sejam elas familiares ou amigos. Os meus colegas da escola primária tinham praticamente uma educação e valores idênticos aos meus. Éramos crianças puras, ingénuas, despreocupadas, felizes. Vivíamos numa aldeia e de nada sabíamos acerca do mundo lá fora. Mas as coisas mudaram quando cheguei ao segundo ciclo. Separei-me das pessoas com as quais me sentia mais confortável. Mudei de meio e percebi que pouco ou nada conseguia identificar-me com as crianças da minha turma, sentia-me uma carta fora do baralho. Cresci. Abri os olhos. Percebi que não somos todos iguais. Percebi que o meio onde crescemos e a forma como somos educados influência a nossa personalidade. Ao longo da nossa vida vamos passando por situações diferentes e são essas situações que vão moldando as nossas opiniões e as nossas atitudes mas nunca mudam a nossa essência, os nossos valores, o nosso coração. Não sei se me faço entender ou se estou a ser contraditória. Acredito que até as pessoas mais frias, as pessoas que aparentemente têm um coração gelado ou o chamado coração "de pedra" têm um fundo de bondade. E esta é a minha opinião porque já convivi com pessoas assim e, se convivermos com essa pessoa frequentemente, conseguimos perceber isso. 

Há cada vez menos pessoas bem intencionadas nos dias de hoje. É verdade que a sociedade está a progredir significativamente em relação a vários assuntos importantes e cruciais, mas também há que reconhecer o constante retrocesso e a não aceitação em relação a outros aspetos e situações. Acredito cada vez mais na importância da consciencialização e da reflexão introspetiva de cada um. Não é correto fingirmos ser algo que não somos só para nos tentarmos incluir num determinado círculo de pessoas ou de amizades. É crucial e cada vez mais imperativo mantermo-nos fiéis a nós mesmos e ouvirmos o nosso coração. 

Vou ficar por aqui, espero não ter sido muito confusa ou repetitiva e que tenham absorvido a mensagem que queria transmitir neste texto. No próximo texto desta saga, vou falar sobre pessoas que cometem erros ortográficos, porque já está mais do que na hora de respeitarmos a nossa língua e cuidarmos bem das palavras. Por agora é tudo, espero que tenham gostado, que fiquem bem e partilhem este texto para ajudar o blog a chegar a mais pessoas. 

Um beijo e até breve. 

- Carina Subtil 





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